terça-feira, 10 de dezembro de 2013

VIOLÊNCIA NOS ESTÁDIOS E NAS RUAS

O SUL, Porto Alegre, Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013.


WANDERLEY SOARES

Estratégias de segurança sem uma visão global terão a tendência de abrir flancos em favor da violência


Creio, como um humilde marquês, que há alguns equívocos na discussão sobre os episódios de violência em nossos estádios de futebol que, com urgência, como diria Caetano Veloso "deveriam ser reparados, ou não". Ocorre que, a cada conflito, com raras exceções não previsíveis, é recozinhado o debate com os mesmos títulos - acabar com a impunidade, tornar a lei mais rígida, punir os clubes, impedir a entrada nos eventos de indivíduos reincidentes, colocar a Polícia Militar dentro dos estádios. Toda a polêmica tem, portanto, no frigir dos ovos, um só objetivo: acabar com os atos de violência dentro dos estádios por ocasião de grandes eventos. Parece lógico isso. No entanto, aqui da minha torre, não me parece tão lógico assim, especialmente em algumas projeções dadas como solução para o problema e que são feitas até mesmo por autoridades da segurança. Sigam-me


Inteligência


Parece-me que os atos de violência nos estádios não deveriam ser analisados como fatos isolados da formação de quadrilhas nas ruas e dentro dos presídios, da infiltração de bandidos mascarados nas manifestações sociais, das organizações de vândalos que danificam prédios públicos e particulares, do permanente risco do crescimento dos grupos de maníacos xenófobos. O risco da prática de atos de violência em eventos de maior magnitude, não somente nos estádios de futebol, tem de ser enfrentado com uma estratégia de segurança global e dirigida para cada evento com o máximo de informações dos serviços de inteligência, e nunca com meros sentimentos intuitivos


Taxas


Com isso, quero dizer também que a cobrança de taxas para as organizações policiais atuarem nos grandes eventos, dentro e fora dos locais onde as massas estão reunidas, deve ser o quanto antes definida. Mas, em primeiro plano, é obrigatória a projeção da segurança da população e, na hipótese de que esta equação não seja possível, o evento não deve ser realizado. Em verdade, as normas da segurança deveriam obedecer aos mesmos princípios dos dispositivos contra incêndios. Se eles não existem, o estabelecimento deve permanecer fechado. Enfim, separar os atos de violência que ocorrem nos estádios da violência do cotidiano em nossas ruas é um equívoco. As raízes são as mesmas e são elas que devem ser visadas.

QUEM NOS PROTEGE?


ZERO HORA 10 de dezembro de 2013 | N° 17640

CRISTIEL GASPARETTO


REPORTAGEM ESPECIAL


Nas vésperas da Copa do Mundo no Brasil, a violência nos estádios volta a ser manchete. O conflito entre torcedores de Atlético-PR e Vasco, no domingo, gera debates e questionamentos. De quem é a responsabilidade pela segurança? Para especialistas, do Estado.

Apresença da Polícia Militar na parte interna dos estádios é tema de debate desde a tarde do último domingo, quando cenas de barbárie foram registradas na Arena Joinville. A certeza é de que o exemplo de Santa Catarina, de não usar PMs em um jogo de risco, com torcidas acostumadas a confusões, mostrou-se equivocado. Para especialistas no tema violência no futebol, a segurança privada não tem a qualificação necessária para conter conflitos.

– Não estando no local (Joinville), não dá para saber se a segurança pública teria impedido. Mas se o país não conseguiu formar agentes públicos de segurança com mais inteligência, é difícil achar que exista preparo na segurança privada. O Estado não tem como abrir mão da segurança, isso até fere a nossa Constituição – comenta Heloisa Reis, professora da Unicamp e com pós-doutorado em Sociologia do Esporte.

Pesquisadora da violência e da prevenção dela no futebol, Heloisa destaca que agentes de segurança privada são bem-vindos, mas sendo preparados pela força pública.

– As brigas ocorrem por história de rivalidade entre clubes e torcidas. Há necessidade de conhecimento do problema, uma avaliação de risco. Esse jogo de domingo era de alto risco, um clube grande poderia ser rebaixado. Deveriam ter procedimentos de prevenção, uma divisão das torcidas por objetos intransponíveis – argumenta.

Para a professora, as organizadas são parte do problema. Ela culpa os promotores dos jogos por não evitarem a maioria dos conflitos.

– Os grupos violentos de torcedores são constituídos por homens que gostam de brigas e que desejam ser reconhecidos por isso. Se não há nenhum obstáculo físico entre os torcedores, o organizador falhou. Se não tem a força do Estado, o Estado falhou. Quem tem mais culpa? Aquele que não previu ou quem perdeu a cabeça? Cabe aos organizadores e ao Estado preverem estratégias que impeçam o contato. Falta ao Brasil trabalhar o tema com seriedade.

Opinião diferente tem o professor doutor George Felipe de Lima Dantas, formado na George Washington University, nos Estados Unidos. Para ele, muitas organizadas são gangues onde a violência e o crime são incentivados.

– A grande questão não é a torcida organizada, mas é em nome de quê elas existem? Se os clubes ajudam essas torcidas, eles estão patrocinando essa violência.

Promotor responsável pela Promotoria do Torcedor do Rio Grande do Sul, José Francisco Seabra Mendes Júnior, também é contrário à saída da polícia do interior dos estádios.

– Não estamos em um estágio de evolução cultural para desprezar o trabalho da Brigada. Tem o peso da farda, a BM realiza reuniões preparatórias, participa na prevenção. A segurança privada pode funcionar, mas como complemento. A BM tem know-how.

Projeto é cadastrar organizadas no RS

Entre as propostas para conter a violência nos estádios está o cadastramento das torcidas organizadas, que está previsto no Estatuto do Torcedor. Atualmente, tramita na Câmara de Vereadores de Porto Alegre um projeto que obriga os clubes a realizarem a identificação biométrica de quem frequentará a Arena do Grêmio e o Beira-Rio.

– A Argentina tem, fazem um cadastramento de todos os torcedores. É uma medida interessante, o torcedor perde o anonimato – opina o promotor Seabra.

No Rio Grande do Sul, os principais casos de conflitos são registrados entre torcidas do mesmo time, que brigam pela liderança.

– Estamos tentando a aproximação das organizadas com clubes, Federação Gaúcha de Futebol e autoridades de segurança.


Proposta gaúcha não evoluiu


Em setembro, a Brigada Militar procurou a dupla Gre-Nal e revelou que teve um gasto de R$ 8 millhões com emprego de policiamento nos estádios. A intenção era deixar de fazer o trabalho no interior da Arena e do Beira-Rio ou que a corporação fosse indenizada pelo serviço. A proposta, no entanto, não evoluiu, já que seria necessário a aprovação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa.

– A BM se convenceu de que a presença dela é essencial, foi uma prova de bom senso. O conflito de multidões tem de ser gerido pela Brigada, que tem prática e recurso. Vamos continuar nos moldes que temos hoje – comenta o vice-presidente do Grêmio Nestor Hein.

Comandante do Comando de Polícia da Capital (CPC), João Diniz Godoi confirma que a Brigada gastou R$ 8 millhões com o trabalho nos estádios em 2012, devido ao deslocamento de efetivo e horas-extras.

– Retiramos o policiamento das ruas e concentramos nesse espaço (estádio) – enfatiza Godoi, que destaca a qualificação dos policiais.

– Temos pessoal preparado. Já fizemos finais de Libertadores, jogos da Seleção. Recebemos torcidas de Corinthians e Flamengo e nenhum incidente ocorreu.




ZERO HORA 10 de dezembro de 2013 | N° 17640 DO LEITOR

Violência

A selvageria vista pelos brasileiros na Arena Joinville no jogo entre Atlético-PR e Vasco é apenas uma das muitas situações de violência que imperam no país. A impunidade, aliada à omissão dos três poderes, favorece e incentiva a prática criminosa. O Código Penal é obsoleto, as leis são brandas, e menores e adultos assassinos são ungidos pela máxima de que precisam ter a chance de uma recuperação.

Rafael Moia Filho, Bauru – São Paulo (SP)

O lugar da Polícia Militar é protegendo o cidadão nas ruas. Dentro de estádios, é obrigação dos clubes qualificar e quantificar os seus seguranças para atender o torcedor.

Fabio Chaves, Via Facebook

As barbáries vistas no jogo entre Atlético-PR e Vasco somente comprovam a mais absoluta e completa falência da Justiça brasileira. Aquelas pessoas só fizeram o que fizeram confiando na impunidade.

Daniel Scherer Stürmer, Executivo de vendas – São Leopoldo

Dentro de estádios, estão milhares de contribuintes que pagam seus impostos para ter segurança. A Polícia Militar está aí para isso também.

Valcir Madalozzo, Via Facebook

É fácil organizar isso. Basta fazer um cadastro único do torcedor. Se ele se envolver em atos de violência, nunca mais entra em estádio.

Jozias Adriano Streit, Via Facebook

Todas essas situações deploráveis a que assistimos no jogo entre Atlético-PR e Vasco devem ser debitadas aos alojados no Palácio do Planalto, que se escondem de sua prerrogativa republicana de, a qualquer custo, manter a ordem, com medo de perder votos nas urnas. Os estádios são o grande teatro do futebol. Urgem ações duras para coibir de uma vez por todas esses espetáculos deprimentes.

Paulo Panossian, Jornalista – São Carlos (SP)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

TORCEDORES DO VASCO SÃO LEVADOS PARA PRISÃO


Torcedores do Vasco são levados para presídio em Joinville. Três foram detidos na noite de domingo após a pancadaria no estádio. Torcedor em situação mais grave teve fratura no crânio. Outros dois também seguem hospitalizados

O GLOBO 
Atualizado:9/12/13 - 10h02


Torcedores do Atletico-PR vão para cima da torcida rival, no jogo contra o VascoPedro_Kirilos / Agência O Globo


JOINVILLE - Os três torcedores do Vasco que foram detidos após a pancadaria durante o jogo contra o Atlético-PR, na Arena Joinville, neste domingo, foram encaminhados durante a madrugada para o Presídio Regional de Jonville. Arthur Barcelos de Lima Ferreira, de 26 anos, e Jonathan Santos, de 29, foram detidos na saída do estádio. Leone Mendes da Silva, de 23 anos, foi levado por policias para a delegacia quando estava dentro do banheiro de um dos ônibus da torcida, já deixando a cidade. Leone aparece numa foto agredindo um torcedor do Atlético-PR com um bastão.

De acordo com a Polícia Civil, seguem as investigações para identificar outros envolvidos na confusão. A pancadaria provocou a interrupção do jogo por uma hora e doze minutos. O torcedor em estado mais grave, William Batista, de 19 anos, sofreu fratura no crânio e deve ficar em observação por tempo indeterminado. Outros dois - Estevão Vianna, 24 anos, e Gabriel Ferreira, 24 - também sofreram pancadas na cabeça e seguem em observação. Só Diogo Cordeiro da Costa, 29 anos, foi liberado: ele teve alta ainda na noite de domingo, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde de Joinville. William e Estevão são paranaenses, e Gabriel e Diogo, cariocas.

Dentro do estádio não havia policiais. A segurança interna era feita por agentes de uma empresa contratada para o serviço pelo Atlético-PR. O tenente-coronel da PM Adílson Moreira, responsável pela segurança no entorno da Arena Joinville, explicou por que não havia policiais dentro do estádio:

- É um evento privado, e a segurança era de responsabilidade de uma empresa privada contratada pelo Atlético-PR - disse.

No fim da noite a PM de Santa Catarina divulgou nota explicando que a ausência dos policiais dentro do estádio atendeu a uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público. Na ação o MP propôs que o Poder Judiciário proibisse a participação de policiais militares em atividades que não fossem da competência constitucional da corporação. Diz a nota: "Outra atividade tida expressamente como ilegal vem a ser justamente a destinação de policiais militares para compor a chamada barreira que divide os torcedores. O Ministério Público entende que essa atividade é da competência dos organizadores do evento, portanto de cunho privado". A PM informou ainda que 113 policiais trabalharam na parte externa.

Segundo o blog "Bastidores F.C.", do site Globoesporte.com, o contrato entre o Atlético-PR e a prefeitura de Joinville deixa claro que a responsabilidade pela segurança é do clube. Uma das claúsulas determina que cabe ao Furacão "providenciar o aparato policial Militar com o recolhimento dos custos correspondentes" e também "providenciar segurança privada com contingente suficiente para garantir a segurança do público".

Procuradoria vai denunciar os dois clubes

O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, comentou as cenas impressionantes de violência, que tiveram socos, chutes em pessoas caídas e espancamento. Ele informou que vai denunciar Atlético-PR e Vasco no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O artigo prevê multa ao clube que "deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto". A lei determina ainda que o clube seja punido também com "perda do mando de campo de uma a dez partidas" quando o caso for de "elevada gravidade".

O Atlético-PR mandou o jogo contra o Vasco em Joinville porque já cumpria punição por tumulto de torcida em outra oportunidade, em jogo contra o Coritiba, em outubro. O time carioca também perdeu mandos de campo no Brasileirão deste ano, em função da briga de seus torcedores com os do Corinthians em Brasília, em agosto.

- É lamentável, mas já falei que alguém morreria se não houvesse medidas mais enérgicas, como jogos com portões fechados, desde aquele Vasco e Corinthians. Não sou vidente. Não precisa ser para saber que vai acontecer. Os dois clubes evidentemente serão denunciados no artigo 213. Foi um confronto, envolveu as duas torcidas. As questões de ordem técnica e as responsabilidades de cada um teremos de aguardar mais um pouco para analisar -disse o procurador Schmitt, em entrevista ao site Globoesporte.com.

Vasco queria que jogo fosse suspenso

Enquanto o jogo em Joinville esteve interrompido, o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, argumentou que a partida não poderia continuar, em função de torcedores do Vasco terem ficado gravemente feridos.

- Não estão respeitando a coisa mais importante, que são as vidas. Não tem policiamento, e isso preocupa todo mundo. Não estamos pensando em primeira ou segunda divisão, ou qualquer outra coisa que esteja em jogo aqui - disse Dinamite. - Eu acho que a partida tem que ser suspensa, mas eu não posso tirar meu time de campo, senão o clube é punido - completou.

Vários jogadores dos dois times mostraram estar abalados com o que viram acontecer entre torcedores. O zagueiro Luiz Alberto era um dos mais chocados, e chegou a chorar.

- São tristes esses confrontos, não tenho palavras. Deu para ver uma pessoa no chão, não sei o que aconteceu. Mais um desastre no nosso futebol brasileiro. Ano de Copa do Mundo, ano em que o Brasil vai ser visto para o mundo todo. É difícil. É difícil pensar em tirar o time do rebaixamento e espero que não tenha acontecido o pior. Por isso que a gente vem tentando criar esse Bom Senso. A gente quer organizar um pouco mais - disse Wendell, volante do Vasco.

IMAGENS DA BARBÁRIE

VIOLÊNCIA MANCHA ULTIMA RODADA DO BRASILEIRO


Violência entre torcidas mancha última rodada do Campeonato Brasileiro, Briga entre facções de Atlético Paranaense e Vasco deixa quatro feridos com gravidade e por pouco não provoca mortes dentro do estádio

O Estado de S. Paulo, 08 de dezembro de 2013 | 17h 37


JOINVILLE - Atualizado às 6h15 - Cenas de vandalismo e de violência brutal mancharam a imagem do país do futebol, que vai ser sede em 2014 da Copa do Mundo. Torcedores do Atlético-PR e do Vasco se enfrentaram neste domingo na arquibancada da Arena Joinville e quatro deles ficaram feridos com gravidade. Três torcedores do Vasco foram detidos.

Por pouco, não houve uma tragédia. As imagens mostradas pela TV e espalhadas em minutos por todo o mundo levaram ao desespero os atletas dos dois times. Rapazes eram pisoteados e linchados por rivais; outros, já desacordados, recebiam chutes no rosto e por todo o corpo. Houve também quem aplicasse com barras de ferro golpes em pessoas já caídas e sem condições de se defender.

Não havia policiais militares na arquibancada. A segurança no local cabia a agentes privados contratados pelo Atlético.

O confronto teve início aos 17 minutos de jogo - vencido pelo Atlético-PR por 5 a 1, o que rebaixou o Vasco à Serie B. Grupos de torcedores se aproximaram de uma área "neutra" do estádio, onde não havia público, para começar a briga.

No mesmo instante, os atletas deixaram a bola de lado e correram para próximo do local em que centenas de torcedores começavam a trocar socos e pontapés. O apelo maior partiu de jogadores do Atlético.

Na sequência, "torcedores" do Atlético encurralaram os do Vasco. Havia focos isolados de agressões, quando um torcedor do outro clube era capturado. Iniciava-se assim uma sessão de linchamento transmitida ao vivo pela TV.

A partida ficou interrompida por 61 minutos. O auge da confusão durou quase dez minutos, até a intervenção de policiais militares munidos de armas que disparavam balas de borracha.

Em meio ao conflito, podiam-se ver pais abraçando filhos pequenos, crianças, em busca de abrigo. Um helicóptero posou no gramado para socorrer um torcedor inconsciente.

Os quatro atendidos no Hospital São José, em Joinville, foram William Batista, de 19 anos, com traumatismo craniano, Estevão Vianna, 24 anos, e Gabriel Ferreira Vitael, 29 anos, ambos com várias lesões e pancadas na cabeça. Diogo Cordeiro da Costa sofreu cortes e hematomas, mas foi liberado às 20h35. O primeiro caso é o mais grave. De acordo com o diretor de Unidade Técnica do hospital, Franco Haritch, nenhum dos torcedores corre risco de morte.

Três torcedores vascaínos foram detidos: Jonathan Santos, 29 anos, Arthur Barcelos de Lima Ferreira, 26, e Leone Mendes da Silva, 23 anos. Ele estava escondido no banheiro de um ônibus da torcida, que já deixava a cidade. Leone era quem segurava um artefato com um parafuso na extremidade e atacava um torcedor desacordado.

O clima de animosidade entre as duas torcidas teve início fora da Arena de Joinville, onde houve os primeiros confrontos.

O jogo em Joinville se deu por causa da perda de mando de campo do Atlético-PR, em razão de distúrbios provocados por sua torcida no jogo com o Coritiba em 6 de outubro.

Durante a paralisação, o Vasco insistiu com o árbitro Ricardo Ribeiro que a partida não fosse reiniciada. O Atlético, que já vencia por 1 a 0, pressionou no sentido contrário. Com a ocupação da arquibancada por mais PMs, pôde-se ver um pouco de futebol. O resultado classificou o Atlético à Libertadores.


CBF e Aldo Rebelo repudiam briga de torcidas em Joinville. Ministro diz que pretende intermediar uma discussão entre o MP e a polícia para definir como deve ser feita a segurança nos estádios brasileiros

09 de dezembro de 2013 | 9h 17

Agência Estado


SÃO PAULO - A CBF e o Ministério do Esporte lamentaram e condenaram os atos de violência que quase impediram a realização da partida entre Atlético Paranaense e Vasco, domingo, na Arena Joinville, em Santa Catarina, pela última rodada do Brasileirão. Com cenas chocantes, a briga de torcidas levou quatro feridos ao hospital.

"O futebol é a maior paixão do brasileiro e como tal tem de ser encarado, com o espírito de esportividade e alegria. Não podemos mais permitir que episódios de violência e de selvageria voltem a ser vistos por todos nós e pelos verdadeiros torcedores que amamos esse esporte. A CBF vai agir, mais uma vez, para combater essa violência injustificável", prometeu o presidente José Maria Marin.

Antes de tomar uma decisão, contudo, o dirigente avisou que vai aguardar a investigação do caso pelos órgãos envolvidos na partida. "É o que cabe à CBF neste momento. Temos de aguardar a posição de todos os setores envolvidos na questão", declarou Marin, que prometeu também discutir "propostas e projetos que consigam abolir definitivamente esses episódios de selvageria dos nossos estádios", segundo informou a nota da CBF.

Também em nota o ministro Aldo Rebelo repudiou a violência e cobrou punição aos envolvidos. "O Ministério do Esporte condena a violência que tomou conta das arquibancadas da Arena Joinville, em Santa Catarina, durante o primeiro tempo do jogo entre Atlético-PR e Vasco da Gama", disse o ministro.

"Os responsáveis devem ser identificados e punidos, cumprindo-se o Estatuto do Torcedor, que prevê penas de reclusão e de banimento dos estádios aos torcedores que cometerem atos de violência", cobrou Aldo Rebelo.

O ministro disse ainda que pretende intermediar uma discussão entre o Ministério Público e a polícia para definir como deve ser feita a segurança nos estádios brasileiros. "O Ministério do Esporte também vai procurar o Conselho Nacional do Ministério Público para um entendimento comum sobre a presença da Polícia Militar no interior dos estádios de futebol."

A partida entre Atlético e Vasco teve início sem policiais nas arquibancadas, somente nos arredores da Arena Joinville. Câmeras constataram a presença de apenas seis seguranças nos limites da torcida atleticana antes dos confrontos. Não havia barreiras físicas entre os dois grupos de torcedores.

Depois da briga generalizada, a Polícia Militar disse que a ausência de policiamento dentro do estádio foi resultado de um "entendimento" com o Ministério Público. O MP, porém, alegou não ter feito nenhuma determinação para que a polícia atuasse somente na parte exterior do estádio. 

RADIO ESTADÃO

Porta-voz da PM admite que segurança privada não estava preparada para jogo entre Atlético e Vasco

A porta-voz do Comando Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, coronel Claudete Lehmkuhl, conversou com os apresentadores Haisem Abaki e Mia Bruscato e com o colunista Luiz Antônio Prósperi.


BARBÁRIE

ZERO HORA 09 de dezembro de 2013 | N° 17639


BRIGA SEM A PM


Cenas de vandalismo e de violência brutal mancharam a imagem do país-sede da Copa do Mundo de 2014.

Torcedores do Atlético-PR e do Vasco se enfrentaram na tarde de ontem nas arquibancadas da Arena Joinville (SC), e quatro deles ficaram feridos. Jovens eram pisoteados e linchados por rivais. Outros, já desacordados, recebiam chutes no rosto e por todo o corpo. Houve também quem aplicasse, com barras de ferro, golpes em pessoas já caídas e sem condições de se defender. Não havia policiais militares na arquibancada. A segurança no local estava a cargo de cem agentes privados contratados pelo Atlético.

Por pouco, não houve uma tragédia. O confronto teve início aos 17 minutos do jogo vencido pelo time paranaense por 5 a 1, o que rebaixou o Vasco à Serie B. Em determinado momento, havia focos isolados de agressões, quando um torcedor do outro clube era capturado. Iniciava-se, assim, uma sessão de linchamento, transmitida ao vivo pela TV.

A partida ficou interrompida por mais de uma hora. O auge da confusão durou quase 10 minutos, até a intervenção de policiais militares. Em meio ao conflito, podia-se ver pais abraçando filhos pequenos, crianças, em busca de abrigo, de um local longe do alvo de policiais e dos agressores. Um helicóptero pousou no gramado para socorrer um torcedor que parecia inconsciente.

Os quatro atendidos no Hospital São José, em Joinville, foram William Batista, de 19 anos, com traumatismo craniano, Estevão Viana, de 24, com múltiplas lesões, Diogo Cordeiro, com corte no rosto, e Gabriel Ferreira Vitael, com hematomas. Nenhum corria risco de vida.

O jogo se deu em Joinville por causa da perda de dois mandos de campo do Atlético-PR, em razão de distúrbios provocados por sua torcida no clássico disputado contra o Coritiba em 6 de outubro.

PM diz que não havia policiamento porque jogo era “evento privado”

Tão logo as cenas de selvageria ganharam o noticiário mundial, começou o jogo de empurra sobre a responsabilidade pela segurança no estádio.

Comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar de Joinville, o tenente-coronel Adilson Moreira afirmou que a falta de policiamento no interior do estádio foi motivada por um “entendimento” de que a corporação só deve fazer vigiar o lado externo da Arena por se tratar de “um evento privado”

– É uma questão de entendimento tanto do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) quanto da Polícia Militar de Joinville. É um evento privado, e a Polícia Militar tem que fazer seu policiamento na área externa – afirmou o tenente-coronel, que, depois da briga, mobilizou a polícia e reforçou o efetivo dentro do estádio para permitir a continuação do jogo.

Por meio de nota, o MP refutou a declaração do tenente-coronel Adilson Moreira, afirmando “que não fez nenhuma recomendação ou ação que impeça a Polícia Militar de atuar no interior do estádio Arena”.

Segundo o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Atlético-PR deve ser punido pela confusão.




DIOGO OLIVIER

Basta de impunidade


Fim lamentável de campeonato. As cenas dos jovens – todos os hospitalizados têm menos de 30 anos – se espancando sem motivo nas arquibancadas em Joinville correram o mundo. No ano que vem, tem Copa do Mundo no Brasil. Lamúrias pelas cenas repetidas não adiantam mais. O que fazer, então? Pegar o gancho do Mundial em casa e dar uma resposta definitiva. Os envolvidos – as imagens são claras – na baderna têm de ser impedidos de frequentar estádios.

Os clubes, Vasco e Atlético-PR, igualmente merecem punição sem dó, nem piedade. O único jeito de barrar essas imbecilidades é colocando pressão nos clubes que, muitas vezes, se beneficiam da impunidade para tolerar e até financiar seus barra-bravas. A impunidade é o combustível de cenas de barbárie como as que vimos ontem antes de o Vasco levar 5 a 1 do Atlético-PR e sacramentar a sua queda ao lado do Fluminense, dois grandes que morreram abraçados no lodo da Série B.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Analise a conclusão da matéria onde a solução encontrada pelo STJD foi a punição do Clube.  Apesar de ser um tribunal desportivo, o STJD deveria ir além e incitar ao Tribunal de Justiça a adoção ágil e imediata das providências contra os bandidos que atuam infiltrados nas torcidas organizadas, ao invés de lavar as mãos e se limitar a punir clubes. Há muito tempo esta mesma medida vem sendo tomada sem qualquer eficácia para conter o holiganismo no futebol brasileiro. Pelo contrário, aumentou com a sensação de impunidade. Vamos buscar a experiência dos países que passaram pelo mesmo e encontraram a solução na justiça criminal e cívil.

SELVAGERIA NO FUTEBOL

ZERO HORA 09 de dezembro de 2013 | N° 17639


EDITORIAIS


O espetáculo não poderia ter sido pior para a imagem do Brasil. Dois dias depois do sorteio dos grupos da Copa de 2014, com os olhos do mundo voltados para o nosso futebol, torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco promoveram uma pancadaria selvagem nas arquibancadas da Arena Joinville, onde o jogo foi realizado. A briga resultou em vários feridos, três deles hospitalizados em estado grave. Ficou evidente a imprevisão dos organizadores do jogo, que era decisivo e reunia torcidas organizadas com histórico de violência.

De acordo com o comando da Polícia Militar, a tropa demorou a intervir porque a segurança no interior das praças esportivas é feita por agentes privados – como também ocorre nas competições organizadas pela Fifa. Ainda assim, é incompreensível que a CBF e os dirigentes dos dois clubes não tenham reforçado o controle, sabendo que se tratava de um jogo de vida ou morte para o Vasco, que tentava se livrar do rebaixamento, e de extrema importância para o Atlético PR, em busca de vaga na Libertadores. Nada disso justifica a brutalidade. Nem deve inibir a polícia de uma investigação rigorosa, para que os responsáveis pelas agressões sejam punidos.

Mas o estrago já está feito. As cenas de batalha – agressões de parte a parte, torcedores chutados e pisoteados, muita correria e paralisação da partida por mais de uma hora – correram o mundo com a instantaneidade da era digital e já suscitam questionamentos sobre a capacidade do Brasil para realizar uma Copa sem expor a riscos os visitantes. Com dirigentes tão lenientes, fica mesmo difícil assegurar aos estrangeiros que nada ocorrerá.

O mínimo que se espera, agora, é que o deplorável episódio de ontem acorde as autoridades e gere providências efetivas de combate à violência nos estádios.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não consigo entender as autoridade brasileiras que não querem enxergar a realidade dos fatos e se submeter à experiência dos países desenvolvidos que passaram pelo mesmo e conseguiram soluções para conter e inibir o holiganismo. Os Congressistas já estão em recesso e ficarão de férias por dois meses, a justiça também, e o Executivo só está pensando na forma de manter seu projeto de governo por mais 20 anos. Até agora, as soluções encontradas são culpar a inoperância ou a truculência da polícia, privar os clubes de seus estádios e esvaziar de torcedores os eventos desportivos. Ora, quem deve ser punido são os bandidos que atuam, infiltrados como torcedores, como se as cores de seu time fosse o cabo e a bandeira de guerra para as batalhas contra outros exércitos de times rivais. Até agora, as punições foram leves e não impediram que estes bandidos continuassem impunemente participando de "torcidas organizadas" (muitas patrocinadas por clubes, conselheiros e jogadores) e indo aos jogos envergando farda, bandeira e grito de guerra. Até quando? 

domingo, 8 de dezembro de 2013

FUTEBOL E TORCEDORES EM COMA

O Estado de S. Paulo, 08 de dezembro de 2013 | 17h 37

Torcedores de Atlético-PR e Vasco brigam e fazem jogo parar em Joinville. Juiz decide interromper a partida. Um Helicóptero pousa no estádio para socorrer vítimas, algumas em coma


SÃO PAULO - As torcidas de Atlético-PR e Vasco fizeram neste domingo o jogo parar. A violência dos dois lados deixou feridos nas arquibancadas da Arena Joinville. Os atleticanos invadiram espaço reservado aos vascaínos, encurralando os rivais num canto do estádio. Não havia policiamento na parte de dentro do campo por deteminação das leis locais. O sargento Adilson Morena, da Polícia Militar, disse que quem faz a segurança interna nos estádios de Joinville é o time mandante, no caso deveria ser o Atlético-PR.

Havia, segundo ele, 120 policiais na parte externa do estádio, e 80 contratados para as áreas internas. O que se viu foi uma das piores brigas de torcida dos últimos tempos.

As imagens chocam. A confusão na arquibancada foi rápida e violenta. Depois que os vascainos apanharam dos atleticanos que resolveram invadir o espaço do adversário, um grupo de torcedores do time do Rio conseguiu pegar dois atleticanos e não parou de bater nos rapazes, que também estavam envolvidos na briga, até que o policiamento chegou 'atirando' com balas de efeito moral e assim conseguiu frear as agressões. Eram pontapés, socos, chutes e pauladas. Havia mulheres no local reservado aos vascaínos.

Houve corre-corre. Muita confusão. As imagens da SporTV, que transmitia o jogo ao vivo, mostravam um torcedor com a camisa do Atlético-PR esticado no chão, de pescoço mole e sem se mexer. Havia outros. As torcidas se enfrentaram por cerca de cinco minutos, tempo suficiente para deixar um rastro de destruição. O jogo estava no mínuto 17. Pelo menos um torcedor do Atlético-PR permaneceu desacordado. Quatro foram levados para hospitais.

ESTADO DE COMA

Dirigentes do Vasco informaram que torcedores do clube também foram levados ao hospital São José em estado "gravíssimos". Correu a informação que um vascaíno morreu após levar pauladas na cabeça. Autoridades do jogo e do hospital não confirmaram o óbito até 18h30. A Polícia informou inicialmente que apenas dois torcedores haviam sido levados para o hospital São José. Eles estavam bastante machucados. Um helicóptero teve de descer no campo para prestar atendimento médico. Carregou um torcedor. "As cenas que vi na arquibancada nunca havia visto antes no futebol", disse o técnico do Atlético-PR, Vágner Mancini.

Da mesma forma, Adílson Baptista, comandante do Vasco, parecia incrédulo e estarrecido com o enfrentamento e brutalidade das torcidas. "É triste e lamentavel. Às vésperas da Copa do Mundo você vê cenas como essas, com torcedores sendo agredidos e se agredindo. Estou chocado. O mundo está vendo isso. Houve muita confusão e acho até que tem gente morta (não há informações de vítimas). Isso não é esporte."

O juiz decidiu parar o jogo por 30 minutos inicialmente, que depois foi retomado. Não havia clima para a continuidade da partida. Dirigentes do Vasco queriam deixar o estádio. Os jogadores do Vasco também se disseram amedrontados com o que o torcedor do seu próprio time poderá fazer caso se confirme o rebaixamento para a Segunda Divisão.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O jogo ainda estava no começo, com vitória parcial do Atlético-PR por 1 a 0, quando começou a correria na arquibancada. Alguns torcedores do time paranaense partiram para cima dos vascaínos, que resolveram enfrentar os rivais. Diante das cenas de selvageria, a partida foi interrompida, com jogadores assustados com a violência. Eles tentaram pedir o fim da briga. Não foram ouvidos. Por decisão que teria envolvido a PM, o Ministério Público e o Atlético-PR, não havia policiamento dentro do estádio. Os policiais ficaram do lado de fora da Arena Joinville, enquanto a segurança interna era privada. Depois que começou a briga, a PM resolveu intervir, controlando os ânimos e montando um cordão de isolamento.

O Atlético-PR é o mandante do jogo, mas foi obrigado a jogar em Joinville para cumprir punição que o impedia de atuar em Curitiba.

HOSPITAL

Representantes do Hospital São José, para onde os torcedores feridos foram levados, informam aos jornalistas que nenhum dos quatro homens correm mais risco de morte, embora dois deles ainda preocupam e estão em estado de observação. Não houve mortes, portanto. Um garoto de 19 anos, torcedor do Atlético, teve fratura no crânio. É quem mais preocupa os médicos. Estevam Viana, de 24 anos, teve ferimentos graves, mas passa bem. Ele também era torcedor do atleticano.

Os outros dois eram vascaínos. Diogo Cordeiro e Gabriel Ferreira tiveram cortes e hematomas pelo corpo, inclusive no rosto. Diego deve ser liberado do hospital ainda neste domingo. Gabriel terá de dormir no leito.

ATUALIZADA ÀS 19H30