terça-feira, 22 de julho de 2014

TORCEDORES MISTURADOS


ZERO HORA 22 de julho de 2014 | N° 17867


Gre-Nal pode ter um setor com torcedores misturados



O quebra-quebra promovido pela briga entre Guarda Popular e Nação Independente deixa a Promotoria do Torcedor em alerta para o Gre-Nal de 10 de agosto, o primeiro do novo Beira-Rio. A partir da próxima semana, algumas providências serão tomadas para o clássico. A maioria, infelizmente, restritivas. Há uma ideia, porém, para tentar levar um mínimo de civilidade ao jogo.

– Queremos ter uma célula no Beira-Rio que integre colorados e gremistas. Um espaço para até 200 torcedores no qual possamos misturar as torcidas – afirmou o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior.

Segundo Seabra, titular da Promotoria do Torcedor, há uma tentativa junto às direções de Inter e de Grêmio para que um pai gremista possa se sentar ao lado do filho colorado, ou vice-versa, ou ainda que alguns sócios de lado a lado possam ser colocados neste setor:

– Será uma tentativa de levar um exemplo de paz ao Gre-Nal, quase um legado da Copa, quando os torcedores adversários ficaram todos misturados nas arquibancadas do Beira-Rio.

Afora esta tentativa de ilha no clássico, todas as demais medidas que serão adotadas visam evitar brigas. Ainda que o Inter possa ceder até 5 mil ingressos para a torcida do Grêmio, é provável que a Brigada autorize apenas 1,2 mil entradas. A alegação é de que a BM não consegue escoltar um número de colorados maior do que este quando há Gre-Nal na Arena.

Assim, mesmo que o estádio do Grêmio tenha maior capacidade que o do Inter, a recicprocidade característica do Gre-Nal não permite que sejam entregues mais bilhetes para o rival.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

CAMINHO GRE-NAL


ZERO HORA 07 de julho de 2014 | N° 17852. ARTIGOS


CLÁUDIO BRITO*


Sonhar não custa nada, e o meu sonho é tão real. É frase de um samba-enredo antológico de Paulinho Mocidade para sua escola, a Mocidade Independente de Padre Miguel. Não me sai da cabeça, desde o dia em que holandeses e australianos coloriram a Avenida Borges de Medeiros, do Mercado ao Beira- Rio. Entre os torcedores das seleções, muitos gremistas e colorados abraçados e brincalhões, fingindo provocações. A festa do futebol estava de volta.

Há quem não acredite na chance de repetirmos em nossos jogos domésticos a festa que o Caminho do Gol proporcionou. O presidente colorado, Giovanni Luigi, crê na ideia e trabalha para realizá-la. Disse isso no Conversas Cruzadas, da TVCOM, seguido pelo presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, em tom de chancela. João Bosco Vaz falou pela cidade e o prefeito Fortunati confirmou esse desejo.

O presidente gremista, Fábio Koff, será o próximo convidado. Vários torcedores dos dois clubes estão engajados na campanha pela pacificação das tardes e noites de futebol. As redes sociais já estão acolhendo vários recados e fotos de famílias que foram aos jogos da Copa e vibraram demais com tudo o que viram e curtiram, abraçados, sem rusgas, muitos vestindo as camisas do Inter ou do Grêmio. Comoveu-me a cena de um casal Gre-Nal. Ele, de vermelho, ela, tricolor. Um casal de filhos estava junto e repetia os trajes. Garoto colorado, menina gremista.

Essa família tem o direito de ir unida ao próximo clássico. O Ministério Público começa a campanha para que não seja apenas um sonho. Marcelo Dornelles, César Faccioli e José Francisco Seabra aprontam um protocolo de intenções para os dois clubes. Cuidarão ainda de neutralizar os “barras bravas” das torcidas organizadas e já têm pronta a sugestão da criação de um espaço do tipo Fan Fest para uma celebração civilizatória dias antes dos clássicos, estreitando ainda mais a convivência. Creio e quero ver a realidade da pacificação.

Andarei pelo Caminho Gre-Nal, na Borges e no rumo da Arena também, partindo, quem sabe, da Igreja dos Navegantes. Meu sonho é tão real quanto o de Paulinho Mocidade.

*JORNALISTA


sábado, 17 de maio de 2014

A MORALIZAÇÃO DO FUTEBOL

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ZERO HORA 17 de maio de 2014 | N° 17799


EDITORIAL



O governo tem a missão de zelar pelos recursos públicos aplicados num setor que ainda enfrenta deficiências e desmandos

É oportuno o momento escolhido pelo governo para incentivar e ajudar a viabilizar mudanças estruturais na gestão do futebol brasileiro. A intenção foi manifestada pela presidente da República, em jantar que ofereceu a 10 jornalistas esportivos, representantes dos principais veículos de comunicação do país, na quinta-feira, e dá sequência a outras iniciativas tomadas pelo Executivo para qualificar não só a administração do futebol, mas também de outros esportes. Ressaltou a senhora Dilma Rousseff que tal disposição não pode ser vista como uma intervenção do Estado numa atividade essencialmente privada. Disse textualmente a presidente que sua intenção não é a de criar a Futebrás, numa referência a inúmeras estatais cujas atribuições são sempre questionáveis.

A atitude do governo tem o mérito de provocar federações e clubes a saírem da inércia. Há uma explicação para o fato de que, apesar de ser uma atividade que deve se autorregular, o futebol precisa, sim, de alguma forma de orientação do setor público. O principal argumento nesse sentido é o sempre lembrado suporte financeiro que instituições governamentais oferecem ao futebol. O exemplo mais recente foi lembrado pela presidente no encontro de quinta-feira: os 12 estádios erguidos ou reformados para os jogos da Copa dispuseram de financiamentos do BNDES. A União tem a obrigação de saber como tais verbas foram aplicadas e contribuir para que a gestão de dinheiro público seja eficaz e transparente.

Outro aspecto da preocupação do governo é o que diz respeito à situação dos clubes como devedores da União. Dívidas fiscais, algumas cobradas muitas vezes, sem que os acordos sejam cumpridos, expõem a fragilidade – e em alguns casos até mesmo ações delituosas – de entidades que manipulam somas milionárias. Como observou Dilma Rousseff, o governo não pode continuar perdoando débitos ou mesmo parcelando valores em atraso, sem a devida contrapartida.

A presidente chegou a sugerir que a melhor forma de reconhecer bons pagadores é punir, com penas esportivas, quem não consegue cumprir com suas obrigações.

O que a União pretende é a total profissionalização de uma área que executa projetos gigantescos, como as arenas, mas é incapaz de gerir, com raras exceções, suas atividades com um mínimo de eficiência.

As mudanças passam também pela reavaliação da relação das federações e dos clubes com os torcedores e com os profissionais.

O primeiro passo será dado em encontro com líderes do Bom Senso F.C, movimento comandado pelos jogadores, com o intuito de modernizar as estruturas do futebol brasileiro e o calendário de eventos. Ao contribuir para que a administração do esporte esteja de acordo com a importância da atividade para o país, o governo cumpre sua função de zelar pelos recursos públicos que as entidades absorvem – e que são de todos os brasileiros – e contribui para que a paixão pelo futebol não acabe por encobrir ineficiências e desmandos.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

15 MORTOS NA PARTIDA DO MAZEMBE

ZERO HORA Atualizada em 11/05/2014 | 22h36

por AFP E ZHESPORTES

Tragédia. Partida do Mazembe termina com pelo menos 15 mortos. Outras 21 pessoas ficaram feridas por conta da violência entre torcidas



Facebook do Mazembe traz algumas imagens sobre a tragédiaFoto: TP Mazembe / Facebook


Pelo menos 15 pessoas morreram e outras 21 ficaram feridas, em Kinshasa, em uma partida de futebol entre os times ASV Club e Tout Puissant Mazembe. A partida entre as duas equipes populares terminou em confronto.

– O balanço no momento atual é de 15 mortos e 21 feridos – declarou à imprensa ao governador de Kinshasa, André Kimbuta, que se encontrou com o ministro do Interior, Richard Muyej, no hospital Mama Yemo, para onde 14 mortos e 11 feridos foram levados. Um inquérito foi aberto para investigar a tragédia e identificar os responsáveis.

A Rádio Okapi, criada pela ONU, reportou que os torcedores do ASV Club ficaram agitados ao ver sua equipe perder. O Mazembe vencia por um gol quando a confusão começou.

– Eles começaram a atirar projéteis no campo, forçando o árbitro a interromper a partida repedidamente – informou a rádio.

Segundo a TV nacional, a partida terminou com uma chuva de pedras, atiradas das arquibancadas, onde uma briga começou. A polícia atirou bombas de gás lacrimogênio na direção da multidão, houve correria nas arquibancadas "e nesta confusão, um muro do estádio desabou", explicou a Rádio Okapi.

Antes da partida, dezenas de policiais foram mobilizados para o entorno do estádio Tata Raphael, após o registro de confusões em partidas anteriores entre os dois times.

O Mazembe, que publicou no seu Facebook oficial algumas imagens do ocorrido, ficou conhecido pelo público brasileiro ao vencer o Inter na semifinal do Mundial de Clubes de 2010, por 2 a 0.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A VIOLÊNCIA SEM CONTROLE ASSUSTA

O DIA, 05/05/2014 23:38:21

Contra-ataque
com Márcio Guedes


Brasil continua sofrendo com violência dentro dos gramados


Rio - Nos últimos anos, ou até décadas, o Brasil tem sido um dos países mais violentos do mundo e nem sempre a pobreza explica isso porque, nesse caso, seria o caos. E essa tese representa também flagrante injustiça com os mais carentes. O que falta é segurança inteligente nas ruas e, depois, uma Justiça que puna, não com rigor, mas na medida certa. Mas isso ainda é miragem e há uma política de direitos humanos deturpada e perversa. Tudo isso é para dizer que os turistas que vierem ao Brasil precisam mesmo se precaver em nossas ruas porque a barra é pesada.

Nos estádios, com policiamento especial, não haverá problemas e ninguém vai jogar privadas nos outros. Mas, nas cercanias e longe dos jogos, todos correrão riscos e a mídia internacional não exagera. Na Europa, também há pontos de violência, mas de uma forma muito menos endêmica e com repressão cem vezes maior. O momento do país é particularmente conturbado e corre-se o risco de acontecimentos lamentáveis. Mas dizem que Deus é brasileiro e, quem sabe, não viveremos um mês em um paraíso?


Violência no futebol segue sem muito combateFoto: Carlos Moraes / Agência O Dia

O ASSASSINO DE ARRUDA


O Estado de S.Paulo 06 de maio de 2014 | 2h 07


OPINIÃO



A morte de Paulo Ricardo Gomes da Silva, de 26 anos, quando saía, na sexta-feira passada, do Estádio do Arruda, no Recife, depois de uma partida entre o Santa Cruz local e o Paraná Clube pela série B do Campeonato Brasileiro, evidencia a que extremos absurdos pode chegar a violência entre torcidas. O jogo havia acabado, a torcida anfitriã já tinha deixado a praça esportiva e um pequeno grupo de torcedores do time visitante se encaminhava para o portão 6 quando alguém jogou do anel superior das arquibancadas dois vasos sanitários. Um atingiu o rapaz, torcedor do Sport Clube do Recife.

No dia seguinte, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) interditou o local do crime, como medida preventiva, até a apreciação definitiva do caso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em seguida, o presidente deste órgão, Flávio Zveiter, determinou que o clube mais popular de Pernambuco jogue suas duas próximas partidas em seu campo com os portões fechados. Ele também assinou um despacho suspendendo as atividades de todas as torcidas organizadas do Santa Cruz no território brasileiro, até que o assassino do Arruda seja identificado.

São providências menores e insuficientes. Afinal, medidas administrativas como estas já foram tomadas inúmeras vezes e os vândalos de arquibancadas continuam agindo impunemente. E reincidem em sua atividade criminosa, principalmente porque nunca são detidos pelos braços, cada vez mais curtos, da lei e da ordem. Exemplos: membros do bando de corintianos apontados como autores do disparo de um sinalizador que matou o jovem boliviano Kevin Espada num jogo entre Corinthians e San José, em Oruro, foram flagrados pouco tempo depois agredindo torcedores adversários do Vasco da Gama na arena Mané Garrincha, em Brasília, onde serão jogadas quatro partidas da Copa do Mundo daqui a pouco mais de um mês. Noticiários da TV repetem à exaustão imagens de torcedores do Vasco da Gama e de outros clubes percorrendo o País e protagonizando cenas de truculência. Depois, são presos, processados e, repetindo o chavão dos romances policiais, voltam ao local do crime.

O vândalo que atirou o vaso sanitário contra desconhecidos premeditou o ato que dele exigiu muito esforço. Toaletes de praças desportivas dispõem habitualmente de receptáculos metálicos. O assassino encontrou e arrancou os vasos fixados no chão e teve de transportá-los e arremessá-los, ciente do estrago que o petardo produziria em seu alvo, seres humanos que não conhecia pessoalmente e contra os quais nada tinha, a não ser o fato de minutos antes terem torcido contra seu clube. Trata-se de um crime doloso, premeditado.

Desta vez, o crime não foi testemunhado pelas câmeras cujas imagens delataram outros assassinos. Por enquanto, só quem foi punido pelo crime hediondo foi o torcedor pacífico do Santa Cruz, impedido de ver seu time atuar em dois torneios importantes. Este, sim, pode dizer-se vítima do gesto. Mas não o clube, que, no caso, se mostrou incapaz de dar segurança à própria torcida e às dos clubes que recebe. Para tentar eximir-se de sua parcela de culpa, a Federação Pernambucana ofereceu um prêmio a quem ajudasse a encontrar o bandido - um suspeito foi detido na tarde de ontem. Deveria ter agido antes, eliminando as condições que, hoje, fazem da ida a um estádio uma aventura que pode terminar em morte. Os dirigentes esportivos parecem ser incapazes de compreender que sua omissão em coibir, preventivamente, crimes como este só favorecem os vândalos e em nada ajudam aos clubes e ao esporte.

A presidente Dilma Rousseff propôs, pelo Twitter, "urgência de se instalar delegacias especializadas". Nada leva a crer que este tipo de providência venha a ter o condão de evitar barbaridades como a do Recife. As torcidas organizadas devem ser proibidas de frequentar estádios e a polícia, o Ministério Público, a Justiça e os clubes de futebol precisam se unir para reprimir os criminosos que vicejam nas torcidas - e que continuam, quase sempre, protegidos e bem remunerados.

NÃO PODEMOS ACABAR COM AS ORGANIZADAS





ZH 06/05/2014

De Fora da Área. Opinião



por Maurício Tonetto, repórter de ZH



Virou senso comum afirmar que a violência nos estádios é culpa das torcidas organizadas. Sem meias palavras, os clubes e o Poder Público são tão culpados quanto um bandido que joga uma privada em direção à torcida adversária.


Quando um marginal travestido de torcedor comete um ato bárbaro como esse de Recife, ele deve ser indiciado, julgado e afastado para sempre de um estádio de futebol. Isso vai acontecer? Claro que não, estamos no Brasil.

É aí que está o cerne da questão. A maioria das pessoas que se junta para apoiar o time do coração de forma organizada jamais cometeu um crime. É sempre um grupo dentro da massa, conhecido internamente dos clubes, que ataca. Grupo ciente da impunidade, que tem certeza de que não será expulso para sempre dum estádio. Assim, fica fácil agir sem pensar.

Os clubes e o Poder Público fomentam a impunidade e criam meia dúzia de monstros que não representam a maioria. Desde que comecei a ir a jogos, frequentei organizadas. Primeiro foi a Camisa 12, depois a Popular. Viajei com elas para partidas fora de Porto Alegre, inclusive do Brasil, e sempre observei que um pequeno grupo, de relações intensas com a direção do Internacional, era o responsável pelos atos impensados.

Por que o pequeno grupo não responde pelas atitudes? As desculpas são sempre as mesmas e a problemática só se agrava. É mais fácil banir uma torcida inteira do que mexer no vespeiro. A alternativa tem se mostrado burra, pois a violência permanece igual e até pior, mesmo com ingressos caros e estádios modernos.

Enquanto os clubes, com apoio do Poder Público, não começarem a expulsar e condenar os criminosos, não haverá solução. As pessoas não deixarão de se agrupar para torcer, mesmo que não existam mais bandeiras, faixas e bumbos. A organização é algo intrínseco ao futebol, ela vem desde os tempos de Vicente Rao nos Eucaliptos.

É preciso entender a lógica e atuar de forma inteligente, mandando para longe os bandidos e abrindo espaço para os que querem fazer o espetáculo verdadeiro. Está na hora de os clubes saírem da zona de conforto e iniciar um diálogo franco com a sociedade que aprecia o futebol. As torcidas não podem acabar, em nome dos bons. Chega de hipocrisia.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Concordo com o autor de que "os clubes e o Poder Público fomentam a impunidade e criam meia dúzia de monstros que não representam a maioria." É muito fácil jogar a responsabilidade no torcedor e lavar as mãos para os fatores que alimentam a prática de holiganismo no futebol. A solução está nas mãos do poder público, das leis e da justiça. O Brasil precisa acabar com o amadorismo na segurança. Chega de medidas partidárias nas questões de justiça e segurança; chega de soluçõespontuais e basta de condescendência. É necessário construir um sistema de justiça criminal ágil, técnico e coativo, capaz de prevenir, identificar, agilizar os processos e punir com severidade, para acabar com a impunidade e coibir a violência nos estádios e nas ruas. Só assim teremos respeito às leis, autoridade e paz nos Estádios.