domingo, 8 de dezembro de 2013

VIOLÊNCIA INTERROMPE PARTIDA E LEVA QUATRO TORCEDORES PARA O HOSPITAL


Violência entre torcidas interrompe Atlético-PR x Vasco por mais de uma hora. Quatro torcedores estão no hospital, um deles com uma fratura no crânio. Dentro do estádio não havia polícia, mas agentes privados de segurança. Cenas da briga na arquibancada generalizada foram impressionantes

O GLOBO
Atualizado:8/12/13 - 19h29

A violência entre torcedores de Atletico PR x Vasco em Joinville, na última rodada do Brasileirão 2013 Pedro Kirilos / Agência O Globo


JOINVILLE – A Secretaria Municipal de Saúde de Joinville informou que quatro torcedores foram encaminhados ao hospital São José após a pancadaria entre torcedores de Vasco e Atlético-PR na arquibancada da Arena Joinville. William Batista, 19 anos, está em estado grave, com uma fratura no crânio. Estevão Vianna, 24 anos, Gabriel Ferreira, 29 anos, e Diogo Cordeiro da Costa, 29 anos, também estão internados, mas a situação é considerada estável.A partida foi interrompida aos 17 minutos do primeiro tempo, quando o time paranense vencia por 1 a 0, gol do zagueiro Manoel. O jogo recomeçou uma hora e dez minutos depois, e o Furacão vai vencendo por 2 a 1. As primeiras informações davam conta de que havia torcedores em coma, mas a Secretaria Municipal de Saúde afirma que todos estão conscientes. A pancadaria foi generalizada, e teve cenas impressionantes. Segundo a Rádio Globo, Estevão Vianna é torcedor do Atlético-PR, enquanto Diogo Cordeiro da Costa e William Batista estavam na torcida do Vasco

O resultado em Joinville vai rebaixando o Vasco para a segunda divisão. O time precisa ganhar para escapar. Já o Fluminense selou seu destino, e vai jogar a Série B em 2014, apesar de ganhar do Bahia por 2 a 1, em Salvador, porque o Coritiba derrotou o São Paulo por 1 a 0 e se livrou, empuirrando o tricolor carioca para a segunda divisão.

Enquanto o jogo em Joinville esteve interrompido, o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, argumentou que a partida não poderia continuar, em função de torcedores do Vasco terem ficado gravemente feridos.

- Não estão respeitando a coisa mais importante, que são as vidas. Não tem policiamento, e isso preocupa todo mundo. Não estamos pensando em primeira ou segunda divisão, ou qualquer outra coisa que esteja em jogo aqui - disse Dinamite. - Eu acho que a partida tem que ser suspensa, mas eu não posso tirar meu time de campo, senão o clube é punido - completou.

Dentro do estádio não havia policiais. A segurança interna era feita por agentes de uma empresa contratada para o serviço, por decisão da diretoria do Atlético-PR. O tenente-coronel da PM Adílson Moreira, responsável pela segurança no entorno da Arena Joinville, explicou por que não havia policiais dentro do estádio:

- É um evento privado, e a segurança era de responsabilidade de uma empresa privada contratada pelo Atlético-PR. Tudo vai ser analisado em razão das imagens. A Polícia Militar tinha que fazer o policiamento na parte externa do estádio, como está fazendo.

Houve registro também de briga do lado de fora do estádio, depois da confusão principal na arquibancada.

Vários jogadores dos dois times mostraram estar abalados com o que viram acontecer entre torcedores. O zagueiro Luiz Alberto era um dos mais chocados, e chegou a chorar.

- São tristes esses confrontos, não tenho palavras. Deu para ver uma pessoa no chão, não sei o que aconteceu. Mais um desastre no nosso futebol brasileiro. Ano de Copa do Mundo, ano em que o Brasil vai ser visto para o mundo todo. É difícil. É difícil pensar em tirar o time do rebaixamento e espero que não tenha acontecido o pior. Por isso que a gente vem tentando criar esse Bom Senso. A gente quer organizar um pouco mais - disse Wendell, volante do Vasco.

http://oglobo.globo.com/esportes/imagens-da-barbarie-no-jogo-entre-atletico-pr-vasco-11008106


PLANTÃO 08/12/2013 - 18:48

Três torcedores hospitalizados após briga entra torcidas; divulgados os nomes

Lancepress



O médico que prestou atendimento a alguns dos feridos na briga entre torcedores na arquibancada da Arena Joinville, José Eduardo Dias, comentou sobre o estado de saúde dos feridos e declarou não haver informações de óbitos.

- Quando levamos eles estavam conscientes. Não temos informações de óbito. Um torcedor aparentemente em estado grave e o segundo caso é de ampla complexidade. O terceiro sofreu um trauma leve. Um torcedor preferiu não ser levado ao hospital - disse o médico.

Os hospitalizados são: Estevam Viana, Wiliam Batista e Diego Costa. Aos 16 minutos de jogo, a partida entre Atlético-PR e Vasco foi interrompida pelo árbitro, após torcedores invadirem o setor do estádio que dividia as torcidas e entrarem em confronto.

HOLIGANISMO DEIXA 3 FERIDOS GRAVES NA ARENA JOINVILLE EM SC

ZERO HORA 08/12/2013 | 18h38

Após briga generalizada que deixou três feridos graves, jogo entre Atlético-PR e Vasco reinicia
Partida foi parada aos 17 minutos da primeira etapa após briga generalizada nas arquibancadas da Arena Joinville



Foto: JOKA MADRUGA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO / /FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


Após mais de uma hora parado, o jogo entre Atlético-PR e Vasco, que estava 1 a 0 para o time da casa, na Arena Joinville, foi retomado. O motivo da paralização foi uma briga generalizada entre ambos os torcedores nas arquibancadas.

Foram confirmados três torcedores com graves ferimentos. Eles foram identificados como Estevão Viana, William Batista e Diogo da Costa. Os dois últimos são da torcida do Vasco. Todos os três foram levados para o Hospital São José, em Joinville.

A segurança dentro do estádio era feita somente por seguranças particulares. A Policia Militar ficou fora do estádio com 60 homens, sendo 20 da cavalaria. Para a retomada do jogo, foram convocados mais de 300 policiais para o interior da arena.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

HOOLIGANS COLORADOS SÃO PROIBIDOS DE FREQUENTAR JOGOS DO INTER

ZERO HORA 25/11/2013 | 22h34

Colorados queriam atacar torcida do Coritiba que furtou celulares da Popular. No tumulto em Caxias do Sul, Brigada Militar chegou primeiro e foi recebida a pedradas


O soldado Osnei Dias Braz foi um dos quatro PMs feridos no entorno do Estádio CentenárioFoto: Wagner Carvalho dos Santos / Brigada Militar,Divulgação


Paulo Germano


Ao armar uma emboscada para a torcida do Coritiba, a ideia dos integrantes da Guarda Popular do Inter era se vingar de um ataque sofrido três meses antes na capital paranaense.

Mas o confronto acabou frustrado pela Brigada Militar, que chegou primeiro e foi recebida a pedradas e garrafadas. Resultado: 33 brigões proibidos pela Justiça de frequentar os jogos do Inter. Quatro PMs saíram feridos. Os coxas-brancas saíram ilesos.

O tumulto no entorno do Estádio Centenário, em Caxias do Sul, antes do empate sem gols contra o Coritiba, envolveu dezenas de torcedores do Inter e 14 PMs. A intenção dos colorados era atacar membros da Império Alviverde, torcida organizada paranaense que desembarcaria de ônibus na Rua Carlos Bianchini.

No dia 1º de setembro, quando o Inter enfrentou o Coritiba fora de casa, integrantes da Império invadiram um ônibus da Guarda Popular e furtaram mochilas e celulares. Na ocasião, os colorados já haviam entrado no Couto Pereira: os coxas-brancas precisaram apenas render o motorista do veículo.

— Eles começaram a enviar mensagens dos celulares furtados, dizendo que nós, da Popular, havíamos sido roubados. Chegaram a ligar para familiares falando que os donos dos celulares tinham morrido na viagem — conta um colorado, pedindo para não ser identificado.

No domingo, membros de outras organizadas do Inter juntaram-se à Popular para bater nos membros da Império Alviverde. Mas, quando o serviço de inteligência da Brigada Militar detectou a iminência do confronto, avisou os PMs que faziam a segurança do entorno. Os torcedores do Inter não aceitaram a reprimenda e partiram para cima.

ZH entrou em contato com o líder da Popular Leonardo Pereira, mas ele não quis se manifestar.


ENTREVISTA

"Foi uma chuva de pedras e garrafas"

Entrevista / Osnei Dias Braz, policial militar


Soldado do 12º Batalhão de Polícia Militar de Caxias do Sul, Osnei Dias Braz foi um dos quatro PMs feridos no confronto de domingo. Ele recebeu pelo rádio a informação de que um grupo de colorados se preparava para atacar torcedores do Coritiba antes da partida.

Zero Hora — Que cenário vocês encontraram ao chegar ao local?

Osnei Dias Braz — Nós éramos apenas três PMs montados (a cavalo) e deparamos com cerca de cem colorados avançando. Ordenamos que retornassem à área reservada à torcida do Inter, mas o resultado foi uma chuva de pedras, paus e garrafas contra nós. Partimos na direção deles, usando as espadas, e depois recuamos para chamar reforços. Eles continuaram avançando, cada vez mais armados, arremessando qualquer pedaço de calçada que encontravam.

ZH — E os reforços chegaram?

Osnei — Sim, vieram outros três policiais montados, além de oito PMs a pé — quatro deles com cães. Fizemos uso de força moderada, com as espadas, os cães e os bastões. Eles não baixavam a guarda. Foi o confronto mais acirrado que tivemos aqui (em Caxias) envolvendo jogos da dupla Gre-Nal. Os colorados se renderam quando um grupo de policiais veio por trás, e aí conseguimos encurralá-los.

ZH — Como eles foram rendidos?

Osnei — Ergueram as mãos, alguns se ajoelharam. Mas vários fugiram. Percebi que um caminhão e alguns carros estacionados na rua haviam sido atingidos por pedradas. Consegui identificar o rapaz que me acertou uma tijolada na perna — estava sem camisa e tinha a inscrição "1909" (ano de fundação do Inter) tatuada no tórax. Foi detido.

ZH — Que ferimentos você teve?

Osnei — Levei uma garrafada no braço direito, que sangrou muito na hora. No joelho esquerdo e na coxa direita, estou com hematomas de tijolaços. O animal em que eu estava montado, a égua Pandora, sofreu um ferimento acima do olho. Estou trabalhando normalmente, mas tenho dificuldade para dirigir e montar.


ZERO HORA 25/11/2013 | 15h19

Após tumulto em Caxias do Sul, Justiça proíbe 33 torcedores de frequentar jogos do Inter. Parte dos colorados deverá se apresentar à polícia nas próximas 10 partidas; o restante está afastado dos jogos por três meses

Paulo Germano



Entre os 35 detidos em um confronto entre colorados e PMs nos arredores do Estádio Centenário, em Caxias do Sul, 33 foram proibidos pela Justiça de frequentar jogos do Inter. Os outros dois são adolescentes e terão a situação analisada pelo Juizado da Infância e da Juventude.

Todos os impedidos de entrar nos estádios deverão se apresentar em postos policiais sempre que o Inter jogar no Rio Grande do Sul. Parte dos torcedores — 13 colorados que aceitaram a "transação penal", benefício que libera os infratores de responderem processos criminais desde que obedeçam a uma medida determinada pela Justiça — deverá cumprir esse procedimento por 10 partidas. Os 20 restantes, que rejeitaram a transação penal ou não tinham direito ao benefício, foram alvo de uma cautelar deferida pelo juiz Emerson Kaminski: deverão passar longe dos jogos do Inter por três meses.

— Havia gente de Santa Maria, Sapucaia, Esteio, Porto Alegre, Caxias do Sul, várias cidades. Portanto, todos os torcedores deverão se apresentar à polícia em seus municípios, nos dias de jogos, e permanecer no local durante a partida inteira. Eles vão receber atestados de comparecimento, que precisarão ser entregues ao Judiciário — explicou o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior, da Promotoria do Torcedor.

As fotos dos torcedores proibidos de frequentar partidas serão distribuídas para os batalhões da Brigada Militar responsáveis pela revista nos estádios em que o Inter jogar nos próximos meses.

Conforme a BM de Caxias, antes do empate em 0 a 0 entre Inter e Coritiba, na noite deste domingo, colorados foram abordados com pedaços de pau, pedras e garrafas na Rua Carlos Bianchini, que servia de acesso ao Estádio Centenário para a torcida visitante. A polícia acredita que uma tocaia estava sendo preparada contra os coxa-brancas.

Na abordagem, pelo menos dois PMs e um cavalo acabaram feridos. Não há confirmação de quantos colorados foram machucados.


Confronto faz 25 colorados detidos e dois PMs feridos

PEDRO MOREIRA

Dois policiais militares ficaram feridos e 25 torcedores foram detidos após confronto de um grupo de colorados com a Brigada Militar (BM) antes do jogo entre Inter e Coritiba ontem, em Caxias do Sul. A ação da polícia ocorreu nas cercanias do Estádio Centenário. Havia informações de uma emboscada para atacar os ônibus dos torcedores do Coritiba. Conforme o comandante do 12º BPM, o major Jorge Emerson Ribas, com o grupo em rua de acesso ao Centenário havia pedaços de paus, garrafas e pedras.

– Na abordagem, houve resistência e confronto. Um grupo de 20 torcedores foi preso por resistência e agressão. Um policial ficou ferido por uma pedrada. Um cavalo também foi ferido, e o PM cavaleiro caiu e se lesionou – afirmou Ribas.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

CLUBES DE SP RECUSAM PROPOSTA DO MP CONTRA TORCIDAS ORGANIZADAS


Clubes paulistas não assinam documento contra as torcidas organizadas. Dirigentes recusam proposta do MP para se comprometerem a não dar dinheiro às torcidas

19 de novembro de 2013 | 7h 33

Raphael Ramos - O Estado de S. Paulo



SÃO PAULO - Sem acordo para que não ajudem mais financeiramente as torcidas organizadas, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos assinaram nesta segunda-feira no Ministério Público do Estado um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta em que se comprometem a controlar o acesso de associados das facções nos seus estádios, assim como isolá-los, e a criar um sistema de monitoramento através de câmeras que permita a identificação dos torcedores. A medida entra em vigor no Campeonato Paulistade 2014 e o descumprimento prevê multa de R$ 20. Clubes paulistas não assinam documento contra as torcidas organizadas. Dirigentes recusam proposta do MP para se comprometerem a não dar dinheiro às torcidas



Dida Sampaio/Estadão - 25/8/2013
Muitas brigas entre torcidas marcaram futebol em 2013


Segundo o promotor Roberto Senise Lisboa, apesar de negarem que dão dinheiro às organizadas, os clubes não concordaram em assinar um documento em conjunto prometendo o fim do auxílio às facções. "Um clube falou que, como as organizadas nasceram historicamente na diretoria do clube, ficaria complicado para ele simplesmente romper", explicou Lisboa - o promotor disse não estar autorizado a revelar o nome do clube. "A estratégia do Ministério Público foi trabalhar com essa questão do subsídio às organizadas para verificar se os clubes estavam dispostos a tratar da estratégia de segurança privada. Os clubes diziam que não tinham responsabilidade nenhuma com a segurança do espetáculo, mas a lei diz que eles têm", disse Lisboa.

Pelo termo assinado ontem, os clubes assumem a obrigação de confinar os integrantes das facções, impedindo a circulação pelo interior do estádio, e a controlar a entrada desses torcedores por meio de cartões com chip e foto que serão implantados pela Federação Paulista de Futebol. Assim, se um torcedor que eventualmente tenha participado de alguma briga tentar entrar no estádio, ele será barrado já na catraca.

Com relação ao chamado "torcedor comum", os clubes têm de garantir que nos setores destinados às numeradas e preferenciais os assentos individuais e demarcados sejam respeitados. Há ainda a possibilidade de que Portuguesa, Ponte Preta e Guarani sejam incluídos no acordo.

O presidente do Santos, Odílio Rodrigues Filho, reafirmou o seu bom relacionamento com as torcidas organizadas e discorda com o estereótipo de que os seus integrantes não apresentariam comportamento adequado, com a devida civilidade, nos estádios e fora deles. Por outro lado, segundo o dirigente, o Santos continua mantendo sua política de repúdio a todo comportamento que fuja disso. "Trabalhamos pela paz nos estádios, pela presença de todos os torcedores, das famílias. Continuamos contra os violentos, os vândalos, sejam eles membros de torcida organizada ou da torcida comum, e nos comprometemos a ajudar a identificar os indivíduos que cometerem excessos."

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

JECRIM MUDA PARA ENFRENTAR HOLIGANISMO

Juizados foram ampliados para conter violência de torcidas. Juizado Especial Criminal (Jecrim) mudou para acompanhar os tempos modernos


GIAN AMATO
O GLOBO
Atualizado:7/11/13 - 22h57


RIO — Criado para agilizar o julgamento de crimes com até dois anos de pena cometidos dentro dos estádios, o Juizado Especial Criminal (Jecrim) mudou para acompanhar os tempos modernos. Mesmo que seja difícil esquecer a antiga nomenclatura, agora o órgão pretende ser conhecido como Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos. Mas a mudança não ficou restrita à sigla.

A competência para o julgamento de crimes cometidos pelas torcidas organizadas, por exemplo, foi ampliada e uma delas já pagou o preço por desrespeitar a lei. Um ato de violência no Maracanã foi punido com rigor pelo Juizado. Depois de atacar a torcida do Vitória, em 27 de outubro, quando cerca de 30 integrantes da Torcida Organizada Young Flu chegaram a apedrejar os adversários, o grupo foi julgado rapidamente e toda a torcida ficou proibida de frequentar qualquer estádio brasileiro caracterizada com uniformes, faixas e bandeiras da facção. Detido durante a agressão, um torcedor tricolor foi afastado dos estádios por oito meses e deverá se apresentar à delegacia nos dias de jogos do seu time.

Na partida entre Flamengo e Goiás, na última quarta-feira, um rubro-negro quebrou a cadeira do Maracanã após o gol adversário. Foi conduzido ao Juizado e pagou pelo dano. As torcidas Fúria e Jovem, do Botafogo, e a Jovem Fla, também estão sob punição.

O Juizado funciona no Maracanã e São Januário em dias de jogos. Pode decretar prisão preventiva de suspeitos e determinar busca e apreensão sem a necessidade de encaminhamento dos supostos criminosos e policiais à delegacia mais próxima.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

JUSTIÇA DESPORTIVA QUER PUNIR CLUBES COM PERDA DE PONTOS

ZERO HORA 06/11/2013 | 20h37

STJD quer que clubes percam até pontos em casos graves de violência nos estádios. Paulo Schmitt apresentou nesta quarta-feira o projeto para a Federação Paulista de Futebol e CBF, e pretende que seja estendida para outras federações



Recentemente, torcidas de Avaí e Figueirense entraram em confusão
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS


O procurador geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schimitt, reuniu-se nesta quarta-feira com Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e vice da CBF, para apresentar um projeto que responsabiliza o clube por atos de violência de torcedores nos estádios. De acordo com ele, a intenção é aproximar as regras de segurança do futebol brasileiro às aplicadas pela Fifa.

— A proposta é adotar dispositivos do código da Fifa para que os clubes sejam responsabilizados pelos atos praticados por seus torcedores, como prevê a norma internacional, e que possam cumprir, no caso de elevada gravidade, as penas de perda de mando de campo, eventualmente com portões fechados, e nas reincidências de muita violência e de gravidade até mesmo a perda de pontos — afirmou Paulo Schimitt, ao site da FPF.

Nesta temporada, pouco mais de 20 pessoas já morreram por violência ligada ao futebol, sendo que Corinthians, Palmeiras e São Paulo perderam mandos de campo em 2013 por conta de problemas nas arquibancadas. A ideia de Schimitt agora é levar a proposta a José Maria Marin, presidente da CBF, e a outras federações, para que a lei entre em vigor a partir de 2014.

— Vamos buscar que os principais dispositivos constem no regulamento geral das competições das federações e também da CBF, e que isso possa ser encaminhado ao Ministério do Esporte para que os diversos dispositivos desse código disciplinar também sejam incorporados a um anexo do nosso código brasileiro de justiça desportiva - acrescentou.

— Estou completando dez anos de tribunal e esse ano de 2013 realmente chamou muito a atenção. Temos que dar esse tipo de resposta. Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e o que nos falta é paz nas arquibancadas - completou Paulo Schimitt.


LANCEPRESS


PARA LEMBRAR...


ZERO HORA 22/10/2013 | 12h43

Procurador do STJD quer volta de portões fechados como punição. Recentes brigas motivaram a redação de documento que será entregue para apreciação da CBF



Copa Sub-20 teve tumulto entre torcidas do Figueirense e GrêmioFoto: Cristiano Estrela / Agencia RBS


Diante dos seguidos casos de brigas nas arquibancadas dos estádios Brasil afora, já há uma movimentação para que a aplicação do fechamento de portões fechados renasça no futebol nacional. O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, é um dos “capitães” da ideia e promete entregar à CBF um documento com sugestões a respeito do assunto.

— Vou mandar pela procuradoria algumas sugestões para que a CBF, que tem legitimidade para fazê-lo, possa enviar ao Conselho Nacional do Esporte ou coloque no regulamento das competições – afirmou Schmitt, a respeito da medida, retirada do CBJD em 2009.

Na visão de Schmitt, que pretende trabalhar nas sugestões durante esta semana, o aumento dos casos de violência tem como ponto chave a falta de eficácia das punições impostas por seus colegas auditores, como no caso da pancadaria no jogo Vasco x Corinthians:

— Se o Tribunal tivesse aplicado a forma de execução com portões fechados no caso de Vasco x Corinthians, o cenário poderia ser outro.


LANCEPRESS



ZERO HORA, 15/10/2013 | 09h04

Presidente do STJD diz que futebol brasileiro está "doente". Tribunal tende a punir duramente brigas nos estádios



Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo


Diante de mais um domingo violento nos estádios e após rever inúmeras vezes as cenas dos conflitos no Morumbi e no Independência, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva(STJD), Flávio Zveiter, deu o seu diagnóstico:

— O futebol brasileiro está doente e tem um vírus, que é esse bando de marginais que vai ao estádio para brigar, descumprir a legislação, prejudicar o seu clube e colocar em risco famílias de bem.

Zveiter foi além e comparou o órgão que preside a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

— Quando chega ao STJD, o problema já aconteceu. Nós somos a ponta final e temos por incumbência apenas punir eventualmente um clube, cuja torcida participou de algum tipo de conflito. ê preciso cuidar da prevenção — disse.

Neste ano, por causa de briga entre torcedores, o STJD já puniu com a perda de mando de campo Corinthians, Vasco e Palmeiras. Para Zveiter, no entanto, as penas aplicadas aos clubes precisam ser revistas e não têm se mostrado eficiente, já que os conflitos têm sido recorrentes.

— Ficar punindo os clubes não é uma solução e não resolve o problema — atesta.

Mas a tendência é o STJD punir com rigor os incidentes do último fim de semana. ê possível que São Paulo, Corinthians, Atlético-MG e Cruzeiro sejam penalizados. No caso do clássico no Morumbi, as imagens mostram torcedores são-paulinos em conflito com policiais. Mas segundo o procurador do STJD, Paulo Schmitt, o Corinthians também pode ser denunciado.

— Ainda vou analisar o material e essa hipótese não está descartada — avisou.

Na partida do Independência foi registrada uma briga entre facções do Cruzeiro. De acordo com Schmitt, porém, o Atlético-MG pode ser punido caso seja provado que, na condição de mandante, contribuiu para a confusão.


INVESTIGAÇÃO - Responsável pela investigação da briga entre são-paulinos e policiais militares no clássico paulista no Morumbi, a delegada Margarete Barreto, da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), disse ter identificado quatro torcedores. No dia do jogo, apenas um menor de idade foi levado à delegacia do Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio e liberado em seguida.

A delegada não quis revelar os nomes dos torcedores identificados, mas é possível ver Luis Lacerda, ex-presidente da torcida organizada Independente, no meio da confusão. Mesmo ensanguentado, ele distribuiu socos e pontapés e chega tomar o rádio de um policial.

A diretoria da facção confirmou a presença de Lacerda no tumulto, mas justificou que o torcedor apenas revidou após ser agredido pelos policiais.

— É uma questão de ação e reação. Se você tomar uma borrachada na cara você não vai fazer nada? — questiona André Nascimento, relações-públicas da Independente.

Lacerda e os demais torcedores identificados devem ser indiciados por provocação de tumulto e lesão corporal. Se considerados culpados, podem receber como punição a prestação de serviços comunitários.

— Mesmo que eles fossem levados para o Jecrim, só ia ter uma audiência e eles iriam ser soltos. Eu não faço a lei. Às vezes, ela (lei) me incomoda um pouco porque as pessoas estão sempre cometendo crimes, mas não sou eu que faço as lei — disse, resignada, Margarete.

A Polícia Civil instaurou inquérito e está colhendo imagens e depoimentos. A previsão é que as investigações durem 30 dias, mas podem ser prorrogadas se houver necessidade.

— Estamos investigando se houve formação de quadrilha, mas não tenho muita certeza se vai dar — explicou a delegada.

Nesta segunda-feira, a Polícia Militar deu a sua versão para a confusão. Nota oficial divulgada pela corporação diz que o tumulto foi "motivado pelo lançamento de uma bomba caseira da torcida do São Paulo na torcida adversária". Na sequência, ainda segundo a PM, os policiais entraram em ação para "evitar tentativa da torcida do São Paulo de invadir o local reservado aos torcedores do Corinthians para agredi-los, o que resultou em um confronto entre policiais e torcedores do São Paulo". Dois policiais ficaram feridos.

Também nesta segunda-feira, a Independente soltou nota oficial na qual afirma que "nada tem com o descontrole de membros da Polícia Militar e o tumulto causado pelo artefato arremessado pela torcida rival".


AGÊNCIA ESTADO


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É o cúmulo do absurdo. Punir os clubes com perda de pontos numa competição só mostra a incapacidade e impotência da justiça desportiva no enfrentamento da violência no futebol. Nenhum clube no mundo é capaz de conter a violência sozinho, sem o rigor das leis e coatividade da justiça comum e desportiva.

Sugiro:

- exigir dos parlamentos o endurecimento das leis contra o holiganismo em todos os esportes;

- levar à justiça comum os autores de crimes para que sejam julgados e punidos com exclusão das praças desportivas por no mínimo um ano, os hooligans e invasores;

- criar um departamento operacional junto à justiça desportiva através das federações e clubes, para controlar, fiscalizar e monitorar as punições e impedir o acesso deles nos estádios;

- fazer os clubes punirem as torcidas organizadas que se envolverem em conflitos e delitos dentro e fora dos estádios;

- impedir os clubes de patrocinar, beneficiar e reconhecer torcidas organizadas que praticar e tiver entre seus membros pessoas condenadas pela justiça por holiganismo, vandalismo, rixas e outros conflitos motivados pelo fanatismo esportivo;

- estimular os clubes a levarem para as escolas seus jogadores e especialistas, contribuindo nos programas educativos contra a violência.

- excluir das competições o clube que não cumprir os deveres estabelecidos na lei contra a violência nos esportes.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

MUNDIAL MASTER DE ATLETISMO TEVE RECEPÇÃO REPROVADA

ZERO HORA 24 de outubro de 2013 | N° 17593


EDITORIAL

RECEPÇÃO REPROVADA

O êxito de grandes eventos esportivos mundiais não depende apenas da competência das instituições envolvidas no projeto. O sucesso está também na dependência da capacidade de recepção das cidades e de sua gente. Relatos de participantes do Mundial de Atletismo Master, que reúne cerca de 4 mil atletas de 82 países em Porto Alegre, dão conta de fatos que conspiram contra a reputação da Capital e do Estado e fazem com que se vislumbrem situações constrangedoras mais adiante, quando da Copa do Mundo. A lamentável amostragem de fatos negativos compromete o projeto gaúcho de transmitir hospitalidade aos visitantes no Mundial.

O balanço de deficiências – e, o que é pior, de atitudes condenáveis – apresentado ontem por este jornal exige avaliação urgente das autoridades. O que se tem é um mural que combina desinformação, a esperteza de taxistas e o despreparo da rede comercial. Percebe-se, a partir das manifestações de quem está na Capital para a competição de atletismo, e desconsiderando-se as obras, que Porto Alegre está longe de se considerar pronta para a Copa. A cidade não foi preparada como deveria para o evento em realização, no sentido de sensibilizar seus moradores a serem colaborativos com quem procura se ambientar num local totalmente desconhecido. Este é um aspecto importante, que sedes de eventos semelhantes levaram muito a sério, pois a primeira impressão, para quem chega de fora, deve ser a de que está sendo bem acolhido.

Foram observadas deficiências no número de voluntários que dominam línguas. O material de divulgação era incompleto. E, para completar, espertalhões se aproveitaram dos estrangeiros para aplicar tarifas exorbitantes em corridas de táxi, conforme exemplos relatados. Algumas limitações poderão ser corrigidas até domingo, quando se encerra o Mundial. Outras exigirão intervenção decidida de órgãos públicos e entidades que articulam a organização da Copa, para que resultem em mudança de atitude, especialmente no que se refere a questões éticas.



A NOTÍCIA


ZERO HORA 23/10/2013 | 06h05


ZERO HORA E DIÁRIO GAÚCHO

Mundial de atletismo aponta falhas de Porto Alegre para a Copa de 2014. Corridas de táxi a preços abusivos, poucos intérpretes, informações incompletas e comerciantes que não falam inglês são algumas das reclamações dos participantes da competição



Lucas Guimarães (E) é intérprete e voluntário: faltaram outros como ele, afirmam os atletasFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS


EDUARDO RODRIGUES e PEDRO MOREIRA


No primeiro grande teste para a Copa do Mundo de 2014, Porto Alegre está deixando a desejar. Relatos de atletas, voluntários e coordenadores que participam da competição mostram falhas na preparação da cidade para competições de porte.

O 20º Campeonato Mundial de Atletismo Master, que trouxe mais de 4 mil esportistas de 82 países à Capital, termina no próximo domingo com relatos que misturam boa vontade da população, treinamento de voluntários e episódios lamentáveis de malandragem.

Um caso ilustra como o despreparo não se restringe ao poder público ou aos organizadores: dois atletas japoneses relataram ter pago incríveis R$ 300 por uma corrida de táxi entre o local das provas, no bairro Menino Deus, e o shopping Praia de Belas, a 1,8 quilômetros. Deveria ter custado R$ 10, segundo o Sindicato dos Taxistas (Sintáxi).

– Eles não são taxistas, são oportunistas predadores. É uma covardia inominável com pessoas idosas. Pedimos para funcionários de hotéis orientarem visitantes sobre o preço médio das corridas na cidade. Se não tomarem providência, na Copa vai acontecer igual ou pior – afirmou o presidente do Sintáxi, Luiz Nozari.

A 232 dias para o início da Copa de futebol, não foram tomados cuidados suficientes para reduzir os transtornos de quem vem de fora. Há pouca informação visual sobre o evento na cidade, para alertar moradores, surpresos com a circulação inesperada de estrangeiros. Com pouca gente fluente em inglês em Porto Alegre, a necessidade de voluntários é maior, mas faltou ajuda.

Fluente em inglês, a atleta de heptatlo alemã Tatjana Schilling, 43 anos, lamenta que as pessoas não falem inglês. Além do ruído na tentativa de comunicação, a esportista da Alemanha também se queixou da demora na divulgação dos resultados das provas no Cete e dos diplomas que, em vez de feitos no computador, são preenchidos a mão.

Problemas envolvendo a comunicação entre voluntários e estrangeiros não são exclusividade da competição disputada na capital gaúcha. O Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo aprendeu a lição com as dificuldades enfrentadas na Copa das Confederações.

– Talvez, por apenas 3% das pessoas virem de fora, não tínhamos tantos voluntários falando línguas. Vamos ter mais agora, porque já são 30% os ingressos para quem vem de fora. Estamos trabalhando para que isso seja corrigido _ reconhece o executivo-chefe do COL, Ricardo Trade.

Coordenador do curso de Marketing de Megaeventos Esportivos da ESPM, o professor Fernando Trein acredita que há tempo para corrigir erros até a Copa. Mas é preciso encarar os problemas com foco:

– Tem de pegar tudo aquilo que não deu certo, centralizar em uma pessoa ou um órgão, e analisar item por item de uma forma muito crítica. Se entender que faltou policiamento em determinado lugar, resolve. Tem de fazer essa análise para melhorar nossa nota na Copa do Mundo. Vamos ter um evento de dimensão maior e provavelmente as mesmas questões acontecendo. Tem de pegar relatos da imprensa, dos atletas, de comerciantes, da hotelaria e começar a pontuar um a um.

Responsável pelo evento, o secretário de Esportes e Lazer do Estado, Kalil Sehbe, limitou-se a minimizar os problemas:
– Temos 500 voluntários, e mais de 100 são bilíngues. Acho que está excelente. Não houve nenhuma falha.

Ele promete, porém, uma reunião de avaliação para depois do evento. Para a Copa, o Mundial de Atletismo mostrou que ainda há muito a aprender.


INFORMAÇÕES - Material de divulgação é incompleto

Embora existam folders em profusão com informações sobre a cidade e o Estado, nem sempre em edições bilíngue, algumas publicações pecam no essencial. Trazem belas fotos de pontos turísticos da Capital e do Interior do Rio Grande do Sul, mas não informam o endereço dos lugares e sequer os telefones de contato. É o caso desta publicação em português, inglês e espanhol distribuída para atletas no Cete.

– Eles dizem que o povo é receptivo, mas não entende o que eles falam. Se sentem perdidos e sem informações, querem passear e conhecer lugares, mas não conseguem. Aqui dentro, por exemplo, só tem uma agência de turismo – revelou a voluntária e intérprete Andréia Maranhão, antes de posar para uma foto ao lado de um atleta indiano.


TÁXIS - Uma corrida de R$ 300

A maior decepção, no entanto, ocorreu com os profissionais considerados embaixadores do turismo nas cidades: os taxistas. Voluntários que atuam como intérpretes no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), um dos cinco locais de provas (os outros são a Sogipa, Esef/Ufrgs, Parque Marinha do Brasil e Parque Esportivo da Puc), ouviram depoimentos estarrecedores.

Segundo o maratonista, intérprete e locutor oficial das provas no Cete, Luiz Cláudio Barreto, há casos de atletas que foram literalmente "assaltados" por alguns motoristas.

– Esperei quatro japoneses que se deslocaram do Cete até o Praia de Belas Shopping. Quando desceram, me disseram, apavorados, que o motorista havia cobrado R$ 300 pela corrida (segundo o Sintáxi, a corrida deveria custar menos de R$ 10).

Carioca e dono de um hostel no Rio de Janeiro, Luiz fala inglês, espanhol e um pouco de francês. Está há seis meses na Capital preparando-se para competições no Estado. Além de fazer a narração das provas, ele virou uma espécie de guia dos estrangeiros na cidade.

– Grupos de americanos e ingleses me pedem informações sobre a cidade. Já levei gente em CTG, restaurante, Fundação Iberê Camargo, Mercado Público e até na Arena. Em nenhum desses lugares encontramos pessoas que soubessem falar inglês.

Na Fundação, uma menina que estava visitando o museu com mãe ajudou os atletas.
Dono de um hostel (albergue) no Bairro Floresta, Carlos Augusto Silveira tem recebido uma série de reclamações de hóspedes em relação a taxistas, o que resultaria em cobranças indevidas.

Entre os problemas relatados por gente de Rússia, Ucrânia, Noruega, Alemanha, Austrália e Chile, um é recorrente e difícil de entender: alguns taxistas não sabem onde fica a principal sede da competição.

– As pessoas ficam decepcionadas de pegar os táxis e, na maioria das vezes, eles darem voltas. Quando saem daqui, eu vou até o motorista e explico onde é. Mas muitas vezes o turista pega na rua. Uma camaronesa pagou R$ 70 para ir do Cete à Esef e ainda perdeu o horário de sua prova. Ela chegou ao hostel arrasada.

EPTC manda verificar taxímetro

Indignado com a atitude de alguns taxistas, o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, determinou que os agentes de trânsito fluentes em inglês passassem a abordar os atletas para saber se não tinham sido lesados. Azuizinhos também falam com taxistas nos locais das provas e em outros pontos da cidade. Nenhum taxista foi punido – segundo Cappellari, por falta de denúncias concretas, com informações como número de prefixo e trajeto.

– Ouvi dizer que esses absurdos aconteceram, mas 99% das reclamações são inócuas porque não há formalização. Os passageiros não têm a cultura de pedir recibo. Assim, não temos como abrir um inquérito para cassar a permissão dos maus profissionais – disse Cappellari.

Ele fez o certo

Ao ouvir a história, contada por um voluntário, de que um taxista teria cobrado R$ 180 para levar atletas alemães da Esef, no Jardim Botânico, ao Cete, o taxista Volnei Oliveira, 63 anos, teve respondida uma curiosidade de vários dias.
– Ah... então é por isso que os azuizinhos estão parando a gente para ver se o taxímetro está ligado – disse Oliveira, que cobrou R$ 18 de um grupo de belgas para fazer o mesmo trajeto.

Ligar o taxímetro, porém, não é garantia de lisura no atendimento de visitantes. De acordo com voluntários, em vez de cobrar o valor em reais, alguns taxistas estariam exigindo pagamento pela cotação do dólar.

COMÉRCIO - Comerciante foi pego de surpresa

Uma queixa recorrente dos visitantes é que comerciantes, prestadores de serviços e moradores não sabem falar inglês. Essa dificuldade foi sentida principalmente em visita a pontos turísticos e em situações corriqueiras, como descobrir o cardápio no restaurante ou tentar comprar remédio na farmácia.

Dono do Bar do Alexandre, na esquina da Gonçalves Dias com a Saldanha Marinho, no Bairro Menino Deus, Alexandre Kohls, 39 anos, teve de montar uma estrutura mínima de atendimento da noite para o dia. Quando viu, além dos clientes rotineiros, o restaurante começou a receber grupos de chineses, alemães, russos, croatas, bósnios e atletas de outras nacionalidades.

Alexandre se vira no espanhol, mas para falar com a nova clientela pediu a ajuda para o amigo e arquiteto Hiran Assis, 56 anos, que fala inglês, e está quebrando o galho de garçom. O bar aumentou o número de cozinheiras e passou a servir almoço até às 17h, saltando de 150 para cerca de 400 pratos - número de refeições servidas no último sábado. O prato feito custa R$ 9.

– Não sabia do evento. Se tivessem me informado com antecedência, teria feito cardápios em línguas diferentes para prestar um melhor atendimento – disse o dono do restaurante, que fica ao lado do Cete.

Hiran diz que a única dificuldade é servir russos e eslovenos que não se expressam muito bem em inglês.

– Encontro uma certa dificuldade, mas as gente sempre se entende _ disse Hiran.
A reportagem consultou funcionários e donos de uma churrascaria, uma padaria e uma farmácia do Menino Deus para saber se tinham funcionários preparados para receber turistas. Dos três locais, somente a churrascaria tem duas pessoas matriculados em cursos de inglês.

VOLUNTÁRIOS 
- Número de voluntários é pequeno

No primeiro dia do evento, um grupo de motoristas dos ônibus que fazem o translado dos atletas dos hotéis para os locais de provas, e vice-versa, pediu demissão. Por não falarem inglês, os condutores não entendiam as perguntas feitas por atletas de delegações estrangeiras e teriam deixado de parar em algumas paradas previstas no roteiro oficial.

– Deu um problema nas rotas e alguns se demitiram – disseram os estudantes de turismo e voluntários Lucas Guimarães, 19 anos, e Daphne Cardoso, 17 anos, teria sido o descumprimento do roteiro previsto.

Após a confusão, intérpretes passaram a acompanhar os atletas no interior dos coletivos. Mesmo com esta determinação, a coordenadora da área de transportes da Central de Operações do Mundial, que preferiu não se identificar, afirma que o número é insuficiente. Segundo ela, deveria haver um intérprete em cada um dos 15 ônibus que fazem as cinco rotas, e pelo menos três em cada um dos cinco locais de provas, totalizando 30 voluntários.

– A gente não tinha voluntários nos ônibus. Agora, eles estão nos ônibus, mas não dentro de todos porque não temos número de voluntários suficientes. Temos de 12 a 14 só – disse a coordenadora.

SEGURANÇA - Casal de mexicanos escapou de assalto

No domingo, Francisca Ramirez, 56 anos, e Luiz Santillan, 68 anos, acompanhados por um gaúcho, caminhavam no Centro da Capital quando foram abordados por assaltantes. Eles foram atacados por dois homens no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público, mas os ladrões não conseguiram levar nada.

– Estamos com medo, é muito perigoso. Já quero ir embora – desabafou Luiz, que veio participar da prova de 1,5 mil metros.

Kalil Sehbe, sobre o Mundial de Atletismo Master: "Estamos mais preparados do que eu pensava". Secretário Estadual do Esporte e Lazer dá nota 9 para a organização do evento na Capital


Sehbe destaca como uma das lições da competição o uso de aplicativo de segurançaFoto: Daniela Xu / Agencia RBS


Pedro Moreira


Ressaltando que Porto Alegre é uma das capitais brasileiras que "mais fala inglês", o secretário estadual do Esporte e Lazer, Kalil Sehbe, dá nota 9 para a organização do Mundial de Atletismo Master, que se realiza até o próximo dia 27. Confira trechos da entrevista concedida a Zero Hora.

Zero Hora – Há uma série de relatos apontando problemas de comunicação entre atletas e voluntários. O número de bilíngues é insuficiente, como até membros da organização admitem?
Kalil Sehbe – Isso não está ocorrendo. Temos 500 voluntários, e mais de 100 são bilíngues. Acho que está excelente. Não houve nenhuma falha, era livre a inscrição. Até me surpreendi com a consciência deles. Graças a Deus temos 500 voluntários.

ZH – Uma das principais reclamações é a respeito de taxistas que dão "voltas" a mais com os atletas estrangeiros.
Sehbe – A gente lamenta, não são pessoas sérias. O que temos de fazer é evoluir. Futuramente, todos os táxis terão aplicações que permitirão acompanhar as rotas.

ZH – Há queixas de que alguns taxistas não sabem onde é o Cete.
Sehbe – Não tem que saber onde é o Cete. É só saber onde é a Rua Gonçalves Dias, 628.

ZH – Comerciantes do entorno do Cete dizem ter sido "pegos de surpresa" pelo evento. Houve contato com essas pessoas?
Sehbe – Foi informado a todos que teríamos um megaevento, foi anunciado. O Estado sabe do nosso evento, o Brasil sabe. Há dois anos saí em quase meia página no teu jornal quando fui buscar a bandeira. Temos o Convention & Visitors Bureau e o Sindicato de Bares, Hotéis, Restaurantes e Similares, que são nossos parceiros. Se o sindicato de todas as categorias sabe, ele é o que representa todos.

ZH – Como será feita a análise dos eventuais problemas que ocorrerem durante o Mundial de Atletismo, com vistas à Copa?
Sehbe – Vamos fazer uma reunião de avaliação de todas as questões positivas, que tem muito mais do que problemas a ser melhorados. Depois vamos fazer as avaliações e as melhorias.

ZH – Qual a principal lição aprendida até agora no evento?
Sehbe – Uma das coisas mais legais é esse aplicativo de segurança pública minuto a minuto que acompanhamos tudo que está acontecendo nos cinco locais onde há jogos. A integração entre pronto-atendimentos, hospitais e vigilância sanitária. Tu não escutas um problema de segurança pública, um problema na área de saúde. Isso nos enche de conforto. É só elogios para saúde e segurança pública.

ZH – Mas temos relatos de pessoas que foram assaltadas.
Sehbe – Do meu lado foi gente assaltada em Londres, na Olimpíada. São mínimas as ocorrências. No nosso evento, são detalhes que temos de corrigir. Estive em Olimpíada, em Copa, em Pan-americano. Estamos mais preparados do que eu pensava.

ZH – Qual a sua nota para a organização da competição?
Sehbe – Nove. Porque as pessoas estão felizes. Onde tem felicidade, está sendo atingido o objetivo final de um megaevento.