sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CHEGA DA TORCIDAS VIOLENTAS



O ESTADO DE S.PAULO, 18 de outubro de 2013 | 2h 14

OPINIÃO

O Ministério do Esporte resolveu agir para acabar com a violência em estádios e arenas tendo em vista a Copa do Mundo de 2014: anunciou que pretende coordenar os órgãos ligados à segurança pública nos Estados para pôr em prática os dispositivos do Estatuto do Torcedor que ficam apenas no papel, mercê de uma corrente de negligência que paralisa a polícia, o Ministério Público (MP) e a Justiça. Isso tem deixado impunes delinquentes que se fantasiam com camisetas de "torcidas organizadas", barbarizam nas praças esportivas e não são compelidos, como a lei vigente prevê, a se apresentarem em delegacias de polícia nos dias da partida de seu time e até com sua prisão em flagrante.

A autoridade teve boas razões para se indignar. No domingo a Torcida Independente, do São Paulo Futebol Clube, enfrentou com óbvia violência os policiais que faziam a segurança do clássico contra o Corinthians, tentando ultrapassar a área desocupada que a separava dos torcedores rivais com o objetivo de provocá-los e agredi-los. A transmissão do jogo pela televisão permitiu que a cena fosse acompanhada ao vivo e os vândalos pudessem ser identificados com facilidade. Um desses, apesar de sangrar abundantemente, foi descontroladamente para cima dos policiais. Outra cena marcante foi a de um pai tentando proteger o filho das agressões dos membros da Independente e das bordoadas da Polícia Militar (PM).

Esta cena chocante praticamente repetiu outra, registrada em 25 de agosto no intervalo da partida pelo campeonato brasileiro entre Corinthians e Vasco na arena Mané Garrincha, em Brasília, onde serão disputados jogos pela Copa no ano que vem. Além da tentativa do pai de proteger o filho, outro fato relevante naquele jogo foi a presença entre os brigões de Leandro Silva de Oliveira, um dos corintianos da torcida organizada Gaviões da Fiel que ficaram cinco meses e meio presos em Oruro, na Bolívia, acusados de terem disparado um sinalizador que matou o adolescente boliviano Kevin Espada na torcida do San José, adversário dos corintianos na Libertadores da América. Solto por falta de provas em 2 de agosto, 23 dias depois ele se envolveu em nova confusão e, apesar de reincidente, não foi preso em Brasília.

Da mesma forma, ninguém foi preso depois dos dois incidentes de domingo em São Paulo. Nem no estádio nem na Marginal do Pinheiros à saída do jogo quando as torcidas rivais voltaram a se confrontar. Apenas um menor briguento foi apreendido e solto na manhã seguinte. Na mesma tarde, torcedores do Cruzeiro brigaram entre si no jogo contra o Atlético Mineiro na arena Independência, em Belo Horizonte. Ninguém, mais uma vez, foi responsabilizado, embora o Estatuto do Torcedor esteja vigente e tenha sido revisto em 2010. Para nada!

"O que está faltando é vontade de cumprir a lei. É uma vergonha que, na véspera da Copa do Mundo, tenhamos de ficar preocupados com estes vândalos", reclamou o diretor do Departamento de Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, Antônio Nascimento. A começar por São Paulo, ele pretende visitar os Estados em que têm sido registrados episódios de violência para convencer a polícia a prender os delinquentes, o Ministério Público e os promotores a oferecerem denúncia contra eles e o Judiciário a aplicar a lei.

A tentativa do Ministério do Esporte de fomentar a discussão para pôr fim à impunidade em estádios e arenas parece acaciana. Mas é hora de dar um basta a esta situação em que a polícia não prende porque se recusa a "enxugar gelo", os promotores não denunciam por falta de provas e a Justiça não pune porque ninguém é processado.

O MP paulista pedirá a extinção da Independente e da Gaviões da Fiel. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva denunciará o São Paulo, o Cruzeiro e o Atlético por causa das ocorrências de domingo. E em boa hora se debaterá o projeto de cadastrar torcedores e implantar um sistema para impedir que banidos por violência entrem em estádios.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

BRIGA ENTRE HOOLIGANS DO SP E POLICIAIS NO MORUMBI


Confusão entre são-paulinos e policiais termina em briga no Morumbi. Polícia ainda tentará identificar outros torcedores que participaram da confusão durante o intervalo

13 de outubro de 2013 | 20h 44

Ciro Campos e Fernando Faro - O Estado de S. Paulo



SÃO PAULO - Uma confusão entre torcedores do São Paulo com policiais militares terminou em briga generalizada e, a julgar pela atuação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em casos semelhantes, o clube deve perder alguns mandos de campo na reta final do Campeonato Brasileiro. Um menor de idade foi apreendido e dois policiais militares ficaram feridos. A confusão teve início no fim do primeiro tempo, quando duas bombas explodiram próximas à barreira que separava as torcidas rivais. A PM interveio para apartar a tentativa de membros das organizadas do São Paulo de se aproximarem dos alvinegros.

"A princípio foi um artefato explosivo que foi arremessado pela torcida do São Paulo contra o policiamento. Estamos apurando as imagens", afirmou o tenente Camargo, responsável pelo policiamento. Em minoria, os militares reagiram com bombas de efeito moral e cassetetes. No restante do jogo, o efetivo de segurança foi reforçado no setor e nenhum outro incidente foi registrado.

Apesar do tumulto generalizado, apenas um torcedor menor de idade foi levado à delegacia do Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio. Os demais participantes, inclusive os feridos, deixaram o estádio sem prestar depoimento.

Segundo a delegada Margarete Barreto, o são-paulino responderá pelo incidente na Vara de Infância e Juventude e a polícia vai tentar identificar os outros envolvidos. “Já temos algumas pessoas identificadas pelas imagens e elas vão responder pelo crime de formação de quadrilha ou por provocação de tumulto pelo Estatuto do Torcedor”, explicou a delegada.

HOOLIGANS FAZEM CONFUSÃO E PREJUDICAM SÃO PAULO E CRUZEIRO

Confusão ocorreu na tarde deste domingo - José Patricio/Estadão

Por confusão no Morumbi, São Paulo pode ser autuado pelo STJD. Equipe paulista deve ser enquadrada no mesmo Artigo que o Cruzeiro, também por briga no jogo contra o Atlético-MG

14 de outubro de 2013 | 11h 56

Vanderson Pimentel e Raphael Ramos - O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - A confusão da torcida organizada do São Paulo com a Polícia Militar pode render muita dor de cabeça à equipe do Morumbi. Lutando para sair de perto da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o Tricolor pode ter que mandar seus jogos em casa para outro lugar. Após o registro da briga, feitas pelas câmeras de TV, o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, deve denunciar o clube ainda nesta semana. "As imagens vão ser avaliadas, mas o São Paulo pode ser autuado no Artigo 213", disse o procurador.

Caso seja punido, o São Paulo pode receber uma multa de R$ 100 a R$ 100 mil. Além de doer no bolso, o clube também pode perder o mando do estádio do Morumbi por 1 a 10 jogos. Adversário no empate em 0 a 0 deste domingo, o Corinthians está cumprindo suspensão pelo mesmo motivo. No estádio Mané Garrincha, torcedores da equipe alvinegra brigaram com vascaínos e ambas as equipes foram condenadas a mandar quatro jogos em seus dominios para outras cidades.

Ainda na fase de análises, o Corinthians também pode ser punido. Todas as imagens sobre a briga serão vistas e se caso houver participação de torcedores alvinegros, o time também pode responder. "Vamos analisar as imagens e se caso for comprovado que os corintianos também participaram, o clube pode ser penalizado", afirma. Como ainda não foi vista a participação da torcida visitante na briga, não há, por enquanto, um Artigo dentro do STJD onde possa se encaixar uma punição à equipe de Parque São Jorge.

Punido pelo STJD também na Copa do Brasil, devido a sinalizadores acesos no jogo de ida contra o Luverdense, a diretoria do Corinthians mostra irritação com o órgão. Durante a partida, o presidente do clube, Mário Gobbi alfinetou o procurador-geral, dizendo que o "Schmittizinho precisa trabalhar, não só contra o Corinthians", perguntando se ele seria "homem" para julgar o que aconteceu nas arquibancadas do Morumbi". Após críticas realizadas tambem através da imprensa, inclusive falando que "falta hombridade" do presidente para assumir culpa dos torcedores corintianos na morte do garoto Kevin Espada, Schmitt não pretende levar as declarações à justiça. "Esse caso já encerrou. O que eu tinha que falar já falei", finaliza.

CRUZEIRO E ATLÉTICO-MG SERÃO AUTUADOS

Não foi apenas no clássico Majestoso que teve confusão. No estádio Independência, a torcida do Cruzeiro brigou entre si e provocou grande alvoroço na derrota da equipe celeste para o Atlético-MG, por 1 a 0. Além da confusão entre os próprios cruzeirenses, os torcedores jogaram bombas na torcida rival. Por conta dos atos, o líder do Campeonato Brasileiro deve ser autuado no mesmo Artigo dos são paulinos. Mas além do Cruzeiro, o Atlético também pode arcar com as consequências. "O mandante do jogo sempre é denunciado nesses casos. Portanto, o Atlético-MG tambem será avaliado pela comissão", afirma Schmitt.

domingo, 13 de outubro de 2013

TOLERÂNCIA ZERO COM VIOLÊNCIA EM PROTESTOS NA COPA


Chefe da Secretaria de Segurança para Grandes Eventos diz que atos são legítimos, com respeito à democracia

ANDRÉ DE SOUZA
O GLOBO
Atualizado:12/10/13 - 21h16


O Secretário Extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, Delegado Federal Andrei Augusto Passos Rodrigues O Globo / Jorge William


BRASÍLIA - As manifestações que tomaram conta das ruas do país em junho deste ano são legítimas e democráticas, mas atos de violência que atrapalhem a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 não serão tolerados. O recado é do delegado da Polícia Federal (PF) Andrei Augusto Passos Rodrigues, que desde agosto é o titular da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, ligada ao Ministério da Justiça. A secretaria está encarregada da coordenação das medidas de segurança dos grandes eventos e tem um orçamento bilionário para isso. A estimativa é que só o governo federal gaste R$ 1,17 bilhão com a segurança dos torneios da Fifa, e R$ 1,16 bilhão com os Jogos Olímpicos de 2016.

— O protesto é legítimo, democrático. E a obrigação das forças de segurança é garantir que esse reflexo da democracia seja exercido em sua plenitude, que isso ocorra da forma mais tranquila possível. O que não podemos aceitar são atos de vandalismo, violência contra patrimônio público e privado, ou que venham a interferir na realização dos eventos. Então nosso grande trabalho é de garantia das manifestações, e fazer com que os jogos ocorram sem interferência de atos de violência ou vandalismo — afirma Andrei Augusto.

Um dos desafios da secretaria é conseguir coordenar os trabalhos das forças de segurança nacionais, estaduais e municipais. A Copa do Mundo terá 12 cidades-sede, o que significa ter que dialogar com os governos dos estados e municípios onde os jogos vão ser disputados. Este ano, durante a Copa das Confederações, atuaram 54 mil integrantes das forças de segurança, entre PMs, policiais civis, bombeiros, agentes de trânsito e outros. Na Copa do Mundo, esse número deve dobrar e passar de 100 mil

Atos não devem ser encarados como principal prioridade

O delegado ainda não chefiava a secretaria quando o Brasil viu milhões de pessoas irem às ruas em junho, na mesma época em que o país sediava a Copa das Confederações. Embora as manifestações ocorridas na época tenham dado trabalho à polícia, o secretário evita apontar os atos de rua como a maior preocupação para a segurança dos próximos grandes eventos.

— É difícil termos um foco específico, ‘olha, agora vamos cuidar dessa ação’. Por que com isso podemos estar desguarnecendo outro ponto. A gente tem ações de capacitação para todas as áreas com os entes federados.

Para a segurança dos grandes eventos, há dois centros integrados de comando e controle (CICCs): um em Brasília e outro no Rio de Janeiro. Além disso, há 12 centros regionais, um para cada cidade-sede da Copa do Mundo, e centros locais dentro dos estádios. Nesses centros — alguns deles já operando — há representantes das várias forças de segurança nacionais e locais.

Um dos maiores contratos da Secretaria, no valor de R$ 243 milhões, é para a implantação da chamada solução integradora. Segundo Andrei, ela vai permitir o pleno acesso ao sistema por todos os CICCs e deverá estar funcionando totalmente em abril do ano que vem, a tempo para a Copa do Mundo. O dinheiro será usado para investimentos em equipamentos, softwares e sistemas de comunicação.

Andrei Augusto substituiu no posto o também delegado Valdinho Jacinto Caetano, que pediu demissão depois de se desentender com o general José Carlos De Nardi, coordenador de Defesa dos grandes eventos. Apesar dos atritos do antecessor com o general, o atual secretário afirma que as relações com os militares são boas. E lembra que o trabalho com a Força também amplia a integração.

— O grande legado não será só equipamentos, de sistemas, de bens materiais. Mas a integração entre as forças, a maneira de agir conjuntamente, e a capacitação da nossa maior riqueza, que é o policial, nosso material humano.

A MÁQUINA DA SEGURANÇA NA COPA

ZERO HORA 13 de outubro de 2013 | N° 17582

A MÁQUINA DA SEGURANÇA. Como funciona o cérebro da Copa

ADRIANA IRION | BRASÍLIA

Dentro do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, um paredão de monitores impressiona o visitante. Dali, é possível acompanhar, simultaneamente, pelo menos 56 imagens, que podem ser originadas de diversas regiões do país ou todas associadas a apenas um estádio de futebol, por exemplo. É nesse centro, localizado em Brasília, que funciona a cúpula da segurança da Copa do Mundo. ZH visitou o local, conheceu seus principais equipamentos e conversou com o delegado federal responsável pela coordenação do trabalho, Andrei Augusto Passos Rodrigues.

Océrebro e o coração da segurança da Copa do Mundo no Brasil estão abrigados em um prédio do Ministério da Justiça, localizado no setor policial de Brasília.

De lá será possível analisar, de forma simultânea, no ápice do evento, até 56 pontos do país para zelar pela segurança de delegações, seleções, turistas. Por trás da tecnologia de última geração, pulsa o desafio que a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), do Ministério da Justiça, tem de integrar e coordenar forças diversas em prol de uma meta, a de registrar o Brasil na história do esporte mundial como referência em segurança.

A missão, sustentada por um orçamento de R$ 1,2 bilhão, está nas mãos do delegado da Polícia Federal (PF) Andrei Augusto Passos Rodrigues, nomeado titular da secretaria em agosto. A longa lista de riscos intrínsecos a esse tipo de evento – como ações terroristas, ataques cibernéticos, assaltos, protestos com vandalismo e agressões – não é o que mais sobressalta o secretário.

O maior desafio é que a engrenagem da integração entre todas as instituições envolvidas no plano de segurança se encaixe para funcionar naturalmente (leia entrevista nas páginas 6 e 7). A expectativa é de que em torno de 100 mil servidores estejam aptos a trabalhar nas 12 cidades-sede dos jogos, que se iniciam em 12 de junho de 2014.

Zero Hora conheceu o quartel-general da segurança da Copa do Mundo, inspirado no que existe em outros 12 países. Por três horas, esteve no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), um órgão estratégico, responsável por monitorar e abastecer de informações os 12 centros regionais já instalados ou sendo construídos no país. O órgão nacional reúne o alto escalão. É só dele que podem partir as decisões de governo, do Ministério da Justiça, sobre qualquer situação crítica de segurança.

Uma parede de olhos

Na sala de gestão de crise, há assentos para ministros e linha direta com a presidente Dilma Rousseff. Entre os membros da secretaria, porém, a torcida é para que o espaço fique sem uso. Que sirva apenas para reuniões ordinárias, sem casos de extrema gravidade a serem tratados.

Um andar abaixo, está o salão que abriga o video wall de 17 metros de comprimento e seis de altura. O equipamento é composto por 56 módulos (telas) e, portanto, pode manter em análise, com boa qualidade de visão, 56 imagens simultâneas de regiões diversas.

Ou, ao contrário, ampliar ao máximo uma única cena para análise dos operadores. Os módulos podem ainda ser divididos em imagens menores, elevando a quantidade de situações sob observação dos representantes de, pelo menos, 15 forças de segurança e de outras áreas que já ocupam posições dentro do comando nacional.

Além de polícias, bombeiros e agentes de trânsito, o cérebro da segurança da Copa também é integrado, por exemplo, por órgãos como a Agência Nacional de Aviação, a Infraero e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. E ainda chegarão os reforços internacionais, já que a secretaria mantém cooperação para troca de informações com representantes dos países que estarão no Mundial – serão 32 seleções na competição.

Engana-se quem imaginar que o video wall é somente um grande telão de imagens. Perito criminal da PF e coordenador-geral de tecnologia da informação e comunicação da secretaria, Daniel Russo detalha o potencial do equipamento:

– Temos softwares com mapas de planejamento, de gestão de eventos – composto, por exemplo, pela agenda de uma delegação, com dados de percurso e horário e de quem deve estar atuando naquela ação –, e mapas situacionais, que mostram as posições dos policiais, onde há barreiras, onde temos ambulâncias, hospitais, disponibilidade de leitos.

O centro nacional foi inaugurado por Dilma em junho de 2013 e operou com outros seis centros regionais, durante a Copa das Confederações. De lá, foram acompanhadas as manifestações que incendiaram o país durante o torneio. Será de lá que, em 242 dias, autoridades esperam começar a assistir ao sucesso, no Brasil, da maior competição de futebol do mundo. Sem vítimas. E sem arranhões à imagem do país.


CARTA DA EDITORA | MARTA GLEICH

O big brother da Copa



Ao virar a próxima página, você encontrará uma reportagem que mergulha na central de segurança da Copa do Mundo no Brasil, em Brasília.

Durante três horas da última quarta-feira, a repórter Adriana Irion e o fotógrafo Carlos Macedo registraram cada detalhe do cérebro e do coração da Copa, em um prédio do Ministério da Justiça. É de lá que é feita a coordenação do plano construído para que o evento se realize sem arranhões à imagem do Brasil.

A partir dali, será organizada a segurança de delegações, seleções e turistas nas cidades-sede da Copa, com tecnologia de última geração, em um projeto orçado em R$ 1,2 bilhão.

O curioso desta reportagem é como Adriana a conseguiu. Estudantes de Comunicação desde muito cedo aprendem na faculdade: um dos segredos do bom jornalista é cultivar fontes. Isso pressupõe ter uma boa agenda, manter contatos – muitas vezes sem que isso resulte numa reportagem imediatamente –, especializar-se num assunto, saber quem é quem no primeiro, no segundo e terceiro escalões, estabelecer uma relação de confiança com a fonte ao longo dos anos, entre muitas outras regras.

Adriana conheceu o delegado federal Andrei Augusto Passos Rodrigues, gaúcho de Pelotas, principal entrevistado desta reportagem, em 2007, quando ela recém ingressava na editoria de Política e ele comandava a investigação que devassou a Assembleia Legislativa, conhecida como fraude dos selos. Depois de ter atuado em Brasília, comandado a segurança da então candidata Dilma Rousseff e trabalhado por dois anos na Espanha, Andrei foi nomeado há dois meses secretário extraordinário de segurança para grandes eventos.

Foi por meio da relação de confiança nutrida nesses seis anos que Adriana negociou nas últimas semanas com Andrei não só um mero registro das instalações, mas a mais completa reportagem já feita sobre o QG da segurança do Mundial sob a gestão do novo secretário.

Vire a página e conheça, portanto, como vai funcionar o Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, o big brother da Copa, graças ao bom cultivo de fontes da repórter Adriana Irion.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

NO FUTSAL, BRUTALIDADE CAUSA TRAUMATISMO CRANIANO EM JOVEM


ZERO HORA 04 de outubro de 2013 | N° 17573

BRUTALIDADE

Jovem sofre traumatismo após briga no futsal



Um campeonato organizado com objetivo de integrar acadêmicos acabou em agressão em Erechim, no norte do Estado. Um dos alunos que participava dos jogos de futsal foi agredido durante uma partida e sofreu traumatismo cranioencefálico.

Os jogos foram organizados pelo Diretório Central de Estudantes da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) de Erechim. Durante a partida, um estudante de Agronomia, de 19 anos, foi agredido por outros acadêmicos. Ele teria recebido chutes na cabeça mesmo depois de ter caído.

O jovem foi socorrido e encaminhado à Fundação Hospitalar Santa Terezinha, onde segue internado. De acordo com o neurologista Celso David Lago, o estudante sofreu lesões do lado direito da cabeça, que prejudicaram os nervos responsáveis pelo movimento dos olhos e da boca. A universidade e o hospital não divulgaram o nome do estudante agredido. Em nota, a instituição de ensino informou que suspendeu o campeonato e instaurou um inquérito administrativo para tratar do caso.


G1 03/10/2013 11h18

Jovem agredido em jogo de futsal no RS teve traumatismo craniano. Aluno perdeu movimentos de olho e de lado do rosto e rompeu o tímpano. Briga ocorreu durante jogos Acadêmicos na URI, em Erechim.

Do G1 RS




O jovem agredido durante uma partida de futsal em uma competição organizada pelo Diretório Central de Estudantes da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) em Erechim, na Região Norte do Rio Grande do Sul, teve traumatismo craniano com danos neurológicos, segundo aponta o laudo médico emitido na manhã desta quinta-feira (3) pelo Hospital Municipal Santa Teresinha. De acordo com o neurologista Celso Lago, que acompanha o caso, o estado de saúde dele inspira cuidados. Não há previsão de alta.

O estudante de 19 anos teve perdas dos movimentos do olho e do lado direito do rosto. Ele rompeu o tímpano e está com vazamento de líquido em um dos ouvidos. O jovem passou por novos exames e está em um quarto sem poder receber visitas.

Jovem foi agredido por estudante em uma partida
de futsal em Erechim (Foto: Reprodução/RBS TV)

Imagens mostram que, após uma cobrança de falta, dois jogadores chutaram o estudante, que levou golpes até caído no chão, como mostra a reportagem do Bom Dia Rio Grande (veja o vídeo). A agressão partiu de dois jogadores do time adversário do jovem que cursa Agronomia. Dezenas de colegas presenciaram o fato. O jogo fazia parte de um evento organizado para a integração dos alunos da URI em Erechim.

"O importante seria participar. Todo mundo foi com esta intenção, mas acabou ocorrendo isso. A gente não gostou", lamentou Maria Eduarda Lottici, estudante de Direito. "Era um jogo e acabou virando uma luta. O mínimo que esperamos é que a Universidade tome providências", disse Vanessa Dembisnki, estudante de Fisioterapia.

Além de prestar assistência à vítima, a URI de Erechim informou que apura o fato.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

BM NOS ESTÁDIOS

ZERO HORA 03 de outubro de 2013 | N° 17572


BM nos estádios R$ 200 mil mensais é o valor a ser pago pela dupla Gre-Nal


A dupla Gre-Nal já sabe quanto gastará para seguir com os brigadianos dentro dos estádios em dias de jogos. O cálculo, feito por técnicos da Secretaria de Segurança Pública, revela que cada um dos clubes pagaria R$ 100 mil mensais.

A sugestão é que o valor seja repassado à Federação Gaúcha de Futebol (FGF), a quem caberia repassá-lo à Brigada Militar.

– Nossa posição é definitiva. Queremos ressarcimento mesmo, não equipamentos, como ocorrido em outras épocas – informa Marcelo Danéris, secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, órgão designado pelo governo estadual para debater com os clubes gaúchos.

Para Danéris, R$ 100 mil por mês é um custo que não abala as finanças da Dupla. Por ano, é de R$ 8 milhões o valor para que os brigadianos trabalhem nos estádios gaúchos, conforme cálculo da Secretaria de Segurança.

– Todos os eventos contam com policiamento pago. Só o futebol que não. Em outros Estados, os clubes pagam – diz o secretário executivo do Conselhão.

O tema voltará a ser discutido neste mês entre a Segurança Pública e os clubes. Caso não se chegue a um acordo para o pagamento, será estabelecido, a partir de 2014, um calendário para retirada gradual da Brigada Militar dos estádios no Estado.

– Será uma transição planejada, para que seja preservada a segurança dos torcedores – destaca Danéris.

Por enquanto, Grêmio e Inter reagem à cobrança. Alegam que o Estado quer usar o futebol para resolver suas dificuldades de caixa.

LUÍS HENRIQUE BENFICA