sexta-feira, 31 de agosto de 2012

GANGUE INVADE BEIRA RIO E PROTESTA AGREDINDO JORNALISTAS

ZERO HORA ONLINE, 31/08/2012 | 16h25

Torcedores invadem Beira-Rio, pedem garra ao time e protestam contra Luigi. Grupo de 60 colorados fez protesto antes do início do treino do Inter e agrediu jornalistas



Torcedores colorados pediram mais garra ao timeFoto: Wesley Santos, Pressdigital
André Baibich

O clima de crise no Beira-Rio segue intenso. Depois de uma quinta-feira marcada pela discussão de Kleber com um torcedor, no desembarque da delegação no Aeroporto Salgado Filho, um grupo de cerca de 60 colorados entrou no estádio em obras para protestar.

O Inter transferiu o treino da tarde desta sexta-feira para o gramado principal do Beira-Rio, saindo do CT Parque Gigante, onde vinha sediando os trabalhos. A princípio, o treino era fechado para a torcida, mas os colorados conseguiram entrar na área restrita por trás da capela Nossa Senhora das Vitórias, no pátio externo do Beira-Rio.

Entoando cânticos de protesto contra o presidente Giovanni Luigi e pedindo que a equipe seja "mais guerreira", os torcedores soltavam rojões e encaminhavam-se para uma das entradas que dá acesso às obras, no anel inferior do estádio.


Foto: Wesley Santos, AE

Por fim, os torcedores conseguiram entrar no que antes era o portão 8, tradicional por receber protestos nos piores momentos do Inter no passado. Chegaram o mais próximo do gramado que puderam e ficaram, em meio aos escombros das obras, cantando por cerca de dois minutos, até a chegada da segurança do Inter.

Durante o protesto, apenas a comissão técnica estava no gramado do Beira-Rio. Por causa dos tapumes da obra, não chegaram a ver os torcedores e parecem não ter se abalado com os gritos.

Ao perceber a presença de repórteres registrando o momento, um dos torcedores gritou "imprensa não". O repórter do Globoesporte.com Tomás Hammes foi agredido com dois socos, um no peito e outro no braço direito. Com a chegada da segurança do clube, os torcedores saíram da área restrita do estádio.

Depois de sair do Beira-Rio, os torcedores ainda dirigiram-se ao CT Parque Gigante, onde os jogadores estavam, preparando-se para rumar ao Beira-Rio e iniciar o treino. A Brigada Militar foi chamada e dispersou o grupo, permitindo o deslocamento dos atletas, que entraram no gramado do estádio às 16h40min, uma hora e dez minutos depois do horário programado para o trabalho.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Para terminar com a violência no futebol é preciso rigor e o rigor começa na identificação dos torcedores, passa pela indenização das vítimas e do clube, e se encerra num julgamento na justiça onde pode ser determinada uma condenação mínima de 10 anos sem poder ir a estadio assistir o jogo do Inter. Enquanto passarem a mão por cima dos pequenos crimes, a dificuldades para evitar os grandes serão bem maiores.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BRIGÕES TÊM HABEAS INDEFERIDOS

Justiça indefere sete pedidos de habeas corpus em favor de torcedores brigões . Juíz diz que prendeu 22 por roubo e que delegada incluiu outros três crimes


Gustavo Goulart
O GLOBO 27/08/12 - 19h19





RIO - A Justiça indeferiu sete pedidos de habeas corpus em favor dos integrantes da torcida organizada Young Flu acusados de espancar e assaltar dois torcedores do Vasco da Gama na estação ferroviária do Engenho de Dentro, no último sábado. Os pedidos foram feitos no domingo, durante o plantão judiciário. No fim da tarde desta segunda-feira outros quatro pedidos foram impetrados. Eles serão avaliados pelo juízo da 33ª Vara Criminal da capital. Os 21 torcedores do Fluminense presos no sábado foram transferidos de Bangu 2 para Cadeia Pública Bandeira Stampa, em Gericinó, segundo informou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Nesta segunda-feira, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça, disse que a decisão de prender os 22 torcedores da Young Flu pode ser interpretada como exemplar, mas baseada na lei. Ele explicou que mandou prender os agressores por roubo, o que foge à alçada do Juizado Especial Criminal (Jecrim), no qual deu plantão no sábado passado, dia da violência.

— As vítimas foram agredidas pelos 22 torcedores e vários pertences foram roubados por três deles. Os três foram presos em flagrante pelo crime de roubo simples e os demais pelo artigo 157, também roubo, mas pela co-autoria e participação. Todos eles foram identificados pelas vítimas, inclusive indicados por elas. As vítimas ficaram bastante machucadas. A agressão durou o tempo de uma viagem entre duas estações, partindo da Pavuna — contou. — A medida tomada pelo Jecrim é comum. Talvez essa tenha ganhado muito destaque pela quantidade de presos ou até mesmo pela morte do torcedor do Vasco na semana passada (quando a vítima foi morta por torcedores do Flamengo).

O magistrado disse ainda que há 6 anos o Jecrim vem agindo com rigor e que para reprimir a onda de violência nos estádios é necessário aplicar o Estatuto do Torcedor.

— O que é importante ser dito é que diante dessa crescente violência nos estádios no Rio, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Civil e a Polícia Militar, que estão de frente para garantir a segurança, estão agindo, estão reprimindo e essas prisões são o retrato dessa atuação unificada do estado com o objetivo de que os estádios de futebol voltem a ser palco para as famílias, para poderem levar seus filhos, para poderem se divertir. E garantir o que diz o Estatuto do Torcedor, que o espetáculo esportivo é um local de segurança, onde o consumidor pode se divertir, é um local de lazer.

Combinação de brigas pelo telefone

Mais cedo, o comandante do Grupamento Especial de Atendimento em Estádios (Gepe), tenente-coronel João Fiorentini, afirmou, nesta segunda-feira, que muitos líderes de torcidas organizadas rivais remarcam, por telefone, os embates agendados pelas redes sociais ao serem descobertos pela polícia. O tenente-coronel disse que vai sugerir aos clubes de futebol que cortem os ingresssos e os benefícios de torcidas organizadas que se envolverem em brigas e agressões aos grupos rivais.

Após a confusão envolvendo a torcida organizada Young Flu, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, entrou com uma representação no Ministério Público pedindo a proibição da torcida nos estádios, a exemplo do que já aconteceu com a Torcida Jovem Fla, na semana passada. A delegada anunciou ainda que, a partir desta segunda-feira, todos os casos envolvendo briga de torcidas e crimes praticados por torcedores de futebol serão tratados por um núcleo formado por seis delegacias da Polícia Civil.

Marta Rocha garantiu ainda que o núcleo vai ter ampla atuação, cuidando não só de torcedores, mas atuando também em grandes eventos. Marta anunciou ainda que a partir de agora qualquer homicídio que ocorrer dentro de estádios, com suspeita de envolvimento de torcidas organizadas, será investigado também pela Divisão de Homicídios. Até então, a DH tinha só atuava na cidade do Rio.

— Estou recomendando aos delegados que a partir de agora qualquer fato envolvendo torcida organizada seja tratado com rigor. Não somos contra a torcida, mas não podemos tolerar a prática de ações criminosas — disse Marta Rocha.

domingo, 22 de julho de 2012

DRIBLE NA JUSTIÇA E NA POLÍCIA


ZERO HORA 22 de julho de 2012 | N° 17138

FUTEBOL - Drible na Justiça

PAULO GERMANO E FRANCISCO AMORIM 

Ao ignorar as ordens da Justiça, torcedores envolvidos em pancadarias desmoralizam as autoridades e os dois maiores clubes gaúchos. Eles estão proibidos de entrar nos estádios e deveriam se apresentar em uma delegacia toda vez que o Grêmio ou o Inter jogassem em Porto Alegre. Não é o que ocorre.

Nenhum entre sete jovens atualmente banidos das arquibancadas cumpre a medida. Dois deles, um gremista e um colorado, foram flagrados por Zero Hora dentro do Olímpico e do Beira-Rio, incólumes a qualquer fiscalização.

Na prática, a lei se mostra um faz de conta. A polícia empurra a culpa para a Justiça, que empurra a culpa para a polícia, que empurra a culpa para os clubes, que empurram a culpa para a Justiça e para a polícia. E o caminho acaba livre para os infratores.

Nesta série de reportagens, que começa neste domingo e se estende até terça-feira, ZH mostra por que uma legislação considerada um sucesso em países como a Espanha e a Inglaterra – onde a fúria das torcidas foi amenizada com uma repressão vigorosa do Estado – por aqui ainda é uma fantasia.

Impunidade nos estádios

Com a mão direita indo e vindo em frente à testa, Jeferson Rodrigo Kuchinski, 23 anos, é o retrato da liberdade enquanto pula e canta dá-lhe ô, dá-lhe ô, dá-lhe Grêmio, dá-lhe ô.

O Grêmio perderia aquela partida por 1 a 0 contra o Atlético-MG, em pleno Olímpico. Mesmo assim, sem nenhum constrangimento, Jeferson postaria no dia seguinte, no Facebook, fotos do seu entusiasmo em meio à Geral, a principal torcida organizada do clube. Não havia motivos para se esconder: as autoridades nunca deram sinais de que cobrariam sua presença na 2ª Delegacia de Polícia da Capital, onde ele deveria estar naquela tarde de 1º de julho.

Uma semana depois, Gabriel Maidana Bassani, 23 anos, prefere a discrição enquanto assiste à vitória do Inter sobre o Cruzeiro por 2 a 1, no Beira-Rio. Não veste a camisa do time. Não acompanha a cantoria da Super Fico, a torcida da qual faz parte. E demonstra desconforto quando uma máquina fotográfica parece apontar em sua direção.

– Sem foto, sem foto! – grita ele para um torcedor de câmera em punho.

Gabriel sabe que seu destino correto, naquele dia, seria a 20ª Delegacia de Polícia – situada a sete quarteirões dali.

A presença dele no Beira-Rio – e a de Jeferson no Olímpico, ambas flagradas por ZH – revela como uma legislação bem-intencionada, cujo princípio seria impedir arruaceiros de ingressar nos estádios, sucumbe à frouxidão do poder público e dos próprios clubes. Desde fevereiro, quando se envolveram em uma pancadaria antes de um Gre-Nal (leia mais na página ao lado), Jeferson e Gabriel estão proibidos por seis meses de torcer nas arquibancadas.

Outros dois rapazes detidos no mesmo tumulto, o gremista Thiago Araújo da Rosa e o colorado Antonio Flávio Valadão de Almeida, também ignoram a ordem judicial: jamais se apresentaram à polícia em dias de jogos. E a polícia nunca alertou a Justiça sobre suas ausências.

– Não fui nenhuma vez à delegacia. Não me cobraram nada até agora, ninguém me ligou. Parei de ir ao estádio por questões pessoais, mas se quisesse poderia ter ido – avalia Thiago, 29 anos, para em seguida expor sua conduta como “torcedor”. – Já me meti em muita briga de torcida. Se tiver que brigar, brigo sim. Tenho que defender meus amigos, defender meu clube.

Em 26 de março, o Grêmio recebeu um ofício do juiz Amadeo Ramella Buttelli, do 2º Juizado Especial Criminal (Jecrim), pedindo que fiscalizasse a entrada de Thiago e Jeferson no Olímpico. Três dias depois, sem qualquer empecilho, Jeferson já ingressava no estádio para assistir à partida contra o Avenida, vencida pelo Grêmio por 4 a 0. Ele mesmo publicou no Facebook uma foto fazendo pose dentro do Olímpico.

A mesma inação se repete no Inter: jamais o clube tomou providências para barrar a entrada dos colorados infratores, como o juiz Buttelli solicitou em 21 de março. Na 20ª DP, onde Gabriel e Antonio deveriam se apresentar no último dia 8, enquanto o Inter vencia o Cruzeiro no Beira-Rio, a funcionária de plantão informou que um deles chegou a comparecer uma vez, mas “isso já faz tempo”:

– Sei lá, acho que faz uns quatro meses. Nem lembro o nome dele.

Não é o que apontam os registros da delegacia. Nenhum torcedor cumpriu a medida um dia sequer.

DUAS BRIGAS NO MESMO DIA

Enquanto o Olímpico trepidava com o Gre-Nal na noite de 5 de fevereiro, o ambiente era carrancudo em uma pequena sala do estádio. No posto do Juizado Especial Criminal (Jecrim), o juiz Marco Aurélio Martins Xavier interrogava os torcedores envolvidos no tumulto horas antes do jogo.

Os gremistas, segundo o boletim de ocorrência, haviam promovido uma chuva de pedras, garrafas e pedaços de pau contra os PMs que escoltavam a torcida do Inter. Para piorar, no meio da escolta colorados iniciaram uma briga entre si.

– Alguns queriam revidar o ataque dos gremistas, mas outros tentavam impedi-los. Prendemos quem defendia o revide – recorda o sargento Cristiano Bildhauer, ferido com uma pedrada naquele dia.

Dois torcedores do Grêmio, Jeferson Rodrigo Kuchinski e Thiago Araújo da Rosa, aceitaram uma transação penal: estariam livres de responder a um processo na Justiça desde que ficassem longe do Olímpico por seis meses, apresentando-se à 2ª Delegacia de Polícia no horário das partidas. Ou seja, estavam impedidos de retornar às arquibancadas até 5 de agosto de 2012.

No caso dos colorados, a medida foi idêntica, alterando-se os locais: Antonio Flávio Valadão de Almeida e Gabriel Maidana Bassani deveriam se afastar do Beira-Rio pelo mesmo período, apresentando-se à 20ª Delegacia de Polícia sempre que o Inter jogasse em seu estádio.

Trata-se de uma sanção prevista no Estatuto do Torcedor. Elogiada por especialistas, a ideia é impor aos torcedores arruaceiros uma punição educativa, evitando entupir o Judiciário com novos processos. A lei só vale para réus primários. Mesmo aceitando o acordo com a Justiça, os quatro detidos naquele dia negaram participação no motim antes do Gre-Nal.

Mas, quando o juiz encerrou a audiência, lembra o sargento Bildhauer, os gremistas decidiram aguardar os colorados na saída.

– Deu um bolo mesmo. Eles (os colorados) tinham xingado a gente lá no Jecrim. Aí, fomos para cima deles – relembra Thiago.

ENTREVISTAS

OS DELEGADOS TÊM OBRIGAÇÃO DE DAR EXPLICAÇÕES - Marco Aurélio Martins Xavier - Juiz responsável pelo projeto Jecrim nos Estádios

Zero Hora – Torcedores proibidos pelo senhor de ingressar nos estádios nunca compareceram às delegacias no horário dos jogos. Onde está a falha?

Marco Aurélio Martins Xavier – As delegacias, que recebem o ofício para fiscalizar o cumprimento da medida, devem comunicar o Jecrim na primeira falta, imediatamente. Esses torcedores, que resolveram descumprir a transação penal, serão processados pelo crime de violência nos estádios, previsto no Estatuto do Torcedor.

ZH – Na sua avaliação, por que as delegacias não comunicam a Justiça?

Marco Aurélio – Essa pergunta deve ser endereçada aos delegados de polícia, que, até onde sei, se comprometeram em realizar a fiscalização. Se houve algum desvio de conduta ou alguma desídia na fiscalização desses indivíduos, eles têm a obrigação de dar explicações ao juiz titular do processo (Amadeo Ramella Buttelli, do 2º Jecrim do Foro Central).

ZH – No documento assinado pelo senhor e no ofício do juiz Buttelli às delegacias, vocês solicitam que a polícia envie um relatório à Justiça ao final do prazo. Os delegados argumentam que não têm obrigação de avisar jogo a jogo.

Marco Aurélio – Existem coisas que precisam ser interpretadas. É evidente que, se for aguardado o final do prazo, o cumprimento da medida será prejudicado. Talvez, de fato, isso revele uma incorreção na comunicação (da Justiça) à polícia. Mas há algo que precisa ser refletido: as instituições não podem funcionar de maneira ilhada.

ZH – Deveriam funcionar como?

Marco Aurélio – Se há alguma pendência de esclarecimento, o mínimo que se deve fazer é buscar esse esclarecimento sobre qual conduta adotar quando o acusado descumpre a determinação. Então, respeitando a boa vontade dos delegados, não me parece uma atitude correta essa. O indivíduo que descumpre a medida pode estar foragido e, inclusive, cometendo outros delitos. A polícia tem uma responsabilidade grande.

ZH – Mas como a comunicação entre a Justiça e a polícia poderia melhorar?

Marco Aurélio – Se esta é uma falha, a comunicação vai melhorar. Sempre que houver ausência do acusado, o Jecrim deverá ser informado, e os documentos do Judiciário serão mais específicos.

A FISCALIZAÇÃO TEM DE VIR DO PRÓPRIO JUIZADO. Cesar Carrion - Titular da 2ª Delegacia da Polícia Civil da Capital

Zero Hora – Os torcedores gremistas impedidos de entrar no Olímpico estão comparecendo à delegacia?

Cesar Carrion – Não, nenhuma vez, pelo que vi aqui no relatório do plantão policial.

ZH – E não há nada que se possa fazer quanto a isso?

Carrion – A decisão do juiz é clara. Ele pede um relatório ao final (do prazo) de seis meses sobre as presenças dos torcedores. Ninguém me pediu um controle rígido. O juizado não cobra mais da gente. E os torcedores assinaram a transação penal, deveriam ter interesse em cumprir. Não tenho como mandar um policial atrás de cada torcedor assim.

ZH – Mesmo que o ofício do juiz não seja tão específico, o senhor não poderia notificá-lo sobre essas ausências?

Carrion – Sim. Vou fazer isso nesta semana. Fui alertado pela plantonista sobre as ausências no último jogo, após um colega teu ir à delegacia e perguntar pelos torcedores.

ZH – Essa falta de fiscalização gera uma sensação de impunidade nos outros torcedores.

Carrion – Acho que pode criar, sim. É importante que se diga que eles responderão pela desobediência. Mas a fiscalização é meio vulnerável, mesmo.

ZH – E o que a Polícia Civil pode fazer para melhorá-la?

Carrion – Não tenho como obrigar o cara a vir para cá (delegacia). Não vou mandar um policial ir atrás deles. A fiscalização tem de vir do próprio juizado.

ZH – Como isso poderia ser feito?

Carrion – O juiz poderia determinar, por exemplo, que a cada jogo o torcedor pegasse uma presença na delegacia e apresentasse ao fórum. Na primeira ausência, o juiz já teria conhecimento. Concordo que a presença desses torcedores no estádio cria uma sensação de “não dá nada” para outros torcedores.

ZH – Os clubes também são responsáveis?

Carrion – Sim. Eles têm de fiscalizar quem entra. Não é preciso mostrar identidade quando se compra ingressos? Eles poderiam até colocar fotos nos portões dos estádios, já que não são muitos torcedores impedidos.

"OS PUNIDOS"

Tá, tá, fui ao jogo - Jeferson Rodrigo Kuchinski

Zero Hora – Você está proibido pela Justiça desde fevereiro de frequentar o Olímpico. Que postura está adotando?

Jeferson Rodrigo Kuchinski – Estou cumprindo. Até porque (o prazo de seis meses) está terminando, falta menos de um mês. Quando terminar, quero voltar ao Olímpico.

ZH – Você diz que está cumprindo a ordem judicial?

Jeferson – Estou.

ZH – Mas está se apresentando à delegacia no horário dos jogos?

Jeferson – Não, aí não dá, porque eu trabalho. Nem teria como.

ZH – Apenas parou de ir aos jogos do Grêmio?

Jeferson – Isso. Até porque estou trabalhando, né?

ZH – Mas temos fotos suas dentro do Olímpico, no jogo do Grêmio contra o Atlético-MG, em 1º de julho.

Jeferson – Não. Fui (ao Olímpico) uma vez só, mas faz tempo.

ZH – Quando?

Jeferson – Fui em uma quarta. Ou em uma quinta.

ZH – Mas e no jogo contra o Atlético-MG, em 1º de julho, um domingo, você estava ou não?

Jeferson – Sim. Mas só nesse aí, nos outros não.

ZH – No Facebook, há fotos suas em outro jogo: Grêmio e Avenida, em 29 de março.

Jeferson – Não. Nesse do Avenida, não fui. Não fui ao jogo, não.

ZH – Mas tem fotos suas. Não foi mesmo?

Jeferson – Não.

ZH – Tem certeza? Tem fotos no Facebook.

Jeferson – Tá, tá, fui, fui.

ZH – Mais algum jogo?

Jeferson – Contra os gambás (em referência ao Corinthians, que jogou com o Grêmio no Olímpico em 10 de junho). Mas foram só esses.

ZH – Antes da primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, quando o Grêmio enfrentou o Palmeiras no Olímpico, em 13 de junho, você postou no Facebook que havia comprado seu ingresso. Não foi a esse jogo?

Jeferson – Fui.

ZH – Foram só esses?

Jeferson – E mais alguns já...

ZH – Por que você está descumprindo a ordem da Justiça?

Jeferson – Ah, sei lá... Nem sei te dizer.

ZH – Você foi proibido de entrar no Olímpico após se envolver em um tumulto antes do Gre-Nal de 5 de fevereiro. O que houve naquele dia?

Jeferson – Eu estava tomando cerveja em um barzinho. Começou a briga, todo mundo começou a correr e, de repente, chegou o brigadiano e disse que eu estava no meio do tumulto. Mas eu não estava. Daí me levaram.


Estou indo normal aos jogos - Gabriel Maidana Bassani


Zero Hora – Você está proibido pela Justiça desde fevereiro de frequentar o Beira-Rio. Que postura está adotando?

Gabriel Maidana Bassani – Não estou cumprindo. Todo jogo tem que ir à delegacia. Nem fiz nada naquele dia (do Gre-Nal de 5 de fevereiro, quando houve o tumulto). O brigadiano se encarnou na minha e me prendeu.

ZH – Por que ele decidiu prender você?

Gabriel – Eu só olhei para o brigadiano, e ele se encarnou em mim. Eu só olhei para a cara dele e dei um cuspe no chão. Ele achou que eu o estava desacatando, mas não foi nada disso.

ZH – Com que frequência você tem ido aos jogos do Inter no Beira-Rio?

Gabriel – Estou indo normal aos jogos.

ZH – E costuma se envolver em brigas?

Gabriel – Estou evitando brigar. Olha, é difícil eu me meter em briga. Fui em todos os jogos e nunca me meti em bronca nem rolo nenhum.

ZH – Por que você não comparece à delegacia no horário dos jogos, como ordenou a Justiça?

Gabriel – É muito difícil cumprir essa pena. Não é todo jogo que o cara pode ir à delegacia. Muitas vezes, o cara não tem como ir. Como é que vai fazer?

ZH – Mas você consegue ir sempre ao Beira-Rio. Por que não conseguiria ir à delegacia?

Gabriel – Sim, mas não é todo jogo que eu vou. Procuro ir em todos, mas às vezes ocorre um imprevisto.

ZH – Por isso decidiu descumprir a ordem judicial?

Gabriel – Não é que eu decidi descumprir a ordem. Fui levando, levando, mas agora tenho que ir lá. Vou à delegacia me informar. O tempo vai passando, passando e, quando vê...


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não é culpa do judiciário, nem da polícia. A culpa é de um sistema de justiça criminal anacrônico vigente no Brasil, onde os órgãos responsáveis funcional como "ilhas", separados por uma falaciosa "independência dos poderes" que distancia, burocratiza, corporativa e torna inoperante as decisões e ações em torno do objetivo comum que é a ordem pública. O resultado é isto se que vê nesta reportagem onde os "condenados" ficam livres e impunes, sem controle ou fiscalização.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

GAVIÕES E MANCHA INVESTIGADAS POR CONFRONTO E MORTE DE TORCEDORES

Briga de torcidas. Polícia vai até as sedes da Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde e prende torcedores. Computadores de ambas as facções também foram levados para ajudar na investigação da briga de domingo - LANCEPRESS, ZERO HORA ONLINE, 27/03/2012 | 12h16

Após a morte de dois palmeirenses em um confronto na Avenida Inajar de Souza, zona norte de São Paulo, a Polícia Civil foi até as sedes das duas maiores organizadas de Corinthians e Palmeiras, Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde, e fizeram apreensões de computadores na manhã desta terça-feira.

De acordo com o site da Folha de São Paulo, suspeitos de ambas as facções também foram detidos para investigação.

A operação está sendo feita pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) em conjunto com a Dhpp (Delegacia de Homicídio). Dois palmeirenses foram presos durante a investigação na sede que fica localizada na Barra Funda, entre eles, Tiago Alvez Lezo, irmão de André Alves Levo, morto na briga de domingo.

Na quadra dos corintianos, que fica no bairro do Bom Retiro, a Polícia levou cinco computadores. A ideia é analisar se há conteúdos suspeitos dentro das máquinas das facções.




CASO HIERRO TEM MAIS UMA VÍTIMA

CLIC CASO DE POLÍCIA - 13 de junho de 2012 

MP inclui mais uma vítima no processo sobre ex-lider de torcida do Inter acusado de agressão



O promotor Júlio César de Melo, do Tribunal do Júri, solicitou a inclusão de mais uma vítima no caso sobre tumulto após jogo comemorativo no estádio Beira-Rio, no final do ano passado. Foram denunciados pela promotoria três integrantes da torcida Guarda Popular: Jorge Roberto Gomes Martins, o Hierro (ex-líder), Ranieri Tafernaberri Cardozo e Rodrigo César Candria Borges. Segundo a Promotoria, os três respondem por tentativa de homicídio, incitação ao tumulto e formação de quadrilha. São três vítimas que aparecem sendo agredidas, algumas com golpes de pequena faca, no estádio Beira-Rio após partida do atacante Fabiano. Veja o vídeo:

Segundo o promotor Júlio César de Melo, houve um aditamento neste caso (inclusão de mais uma vítima) após laudo pericial ser anexado ao processo que tramita na 2ª Vara do Júri da Capital. Esta nova vítima, a quarta, teria sido agredida na saída do estádio. O rapaz chegou a gravar imagens de vídeo em um dos portões do Beira-Rio e divulgou na Internet.

No caso desta quarta vítima, os acusados são apenas Jorge Roberto Gomes Martins, o Hierro, e Ranieri Tafernaberri Cardozo. Os dois devem responder também pelo crime de lesão corporal leve. A vítima, inclusive, comunicou a agressão à Polícia, antes mesmo do laudo pericial ter sido concluído. A Justiça aguarda que os réus sejam citados sobre este aditamento, inclusão de mais uma pessoa agredida, para iniciar a fase de audiências. Todos os acusados respondem ao processo em liberdade. Hierro Martins, que esteve foragido, foi preso em março deste ano e recebeu a liberdade em maio.

Entenda o caso

Conforme o inquérito policial, Hierro e outros dois jovens da torcida Guarda Popular se envolveram em uma briga com um grupo dissidente, integrantes da torcida Popular do Inter. Parte do confronto foi registrado por imagens de câmeras de segurança do Inter, que ajudaram na identificação dos envolvidos.

O confronto deixou quatro pessoas feridas, sendo três esfaqueadas. Apenas três estavam incluídas inicialmente. Com um laudo pericial sendo anexado ao processo na Justiça, o Ministério Público solicitou a inclusão da quarta vítima. Uma delas teve cortados tendões de três dedos da mão esquerda. Em consequência do episódio, o Inter excluiu as duas torcidas organizadas do seus quadros, cancelando benefícios como uso de sala no estádio e acesso facilitado às arquibancadas em dias de jogos.



7 de dezembro de 2011 - Usando facas, torcedores do Inter brigam após jogo festivo do atacante Fabiano no Beira-Rio.

21 de dezembro de 2011 - Hierro e mais dois integrantes da Guarda Popular são indiciados pela Polícia.

3 de janeiro de 2012 - Hierro e mais dois integrantes da Guarda Popular são denunciados por tentativa de homicídio.

1º de março de 2012 - Hierro Martins se entrega à Polícia.

4 de maio de 2012 - Hierro Martins recebe liberdade provisória, mas está impedido de freqüentar estádios de futebol.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

LÍDERES DA GAVIÕES E DA MANCHA SÃO PRESOS

Polícia prende ex-presidente da Gaviões e vice da Mancha. RAFAEL VALENTE, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA - 04/04/2012 - 11h00

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) realizou operação na manhã desta quarta-feira que prendeu torcedores da Mancha Alviverde e da Gaviões da Fiel.

Entre os torcedores detidos está Lucas Leso, vice-presidente da Mancha Alviverde, e irmão de André Alvez Leso, morto na briga entre as duas torcidas organizadas no último dia 25. Na semana passada, Tiago Leso, irmão gêmeo de André já havia sido preso.

De acordo com Moacir Bianchi, ex-vice-presidente da Mancha, nove mandados de prisão desde o confronto do último dia 25 foram expedidos contra integrantes da organizada.

A polícia também prendeu na manhã desta quarta três torcedores da Gaviões da Fiel, entre eles Douglas Deungaro, conhecido como Metaleiro, ex-presidente da organizada. Além da prisão, os policiais também encontraram paus e barras de ferro na sede da torcida.

"Os três detidos estão sendo averiguados e vão ser interrogados para ver se eles participaram da briga. Vamos aguardar o depoimento para falar sobre o caso", disse o advogado da Gaviões da Fiel, Davi Gebara.

Na semana passada, a polícia já havia efetuado outras prisões. Além da prisão dos torcedores, a Polícia Civil também fez apreensão de computadores nas sedes das duas torcidas.

A investigação das torcidas de Corinthians e Palmeiras, respectivamente, com sede no Bom Retiro e na Barra Funda, foi feita pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) em conjunto com a DHPP (Delegacia de Homicídio).

A polícia começou a investigar as duas torcidas após o confronto entre cerca de 300 torcedores do Corinthians e do Palmeiras na avenida Inajar de Souza, no bairro do Limão, horas antes do clássico entre as duas equipes no Pacaembu, realizado no último dia 25.

Na confusão, André Alvez Lezo, 21, foi morto com um tiro na cabeça. Dois dias depois, Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira teve a morte cerebral confirmada pelo Hospital São Camilo.

Em virtude da violência e da morte dos torcedores, a Federação Paulista de Futebol proibiu as duas organizadas de entrar nos estádios.

domingo, 1 de abril de 2012

VANDALISMO SEM PUNIÇÃO


Guerra de torcidas organizadas que provocou a morte de dois jovens no domingo ainda é investigada e poucas medidas foram adotadas contra as facções. 01 de abril de 2012 | 3h 03. O Estado de S.Paulo

Uma semana após a batalha na avenida Inajar de Souza, em São Paulo, entre as facções Mancha Alviverde, do Palmeiras, e Gaviões da Fiel, do Corinthians, quando dois torcedores foram mortos, nem a polícia e muito menos os responsáveis pela segurança pública colocaram as mãos nos criminosos.

As primeiras medidas contra a violência no futebol, depois dos homicídios no domingo, foram anunciadas durante a semana. Mancha e Gaviões foram proibidas pela Federação Paulista de Futebol de entrar nos estádios.

Busca e apreensões foram feitas nas sedes das facções e nas casas de alguns suspeitos. A titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, delegada Margarette Barreto, garante que o balanço das investigações vai ser positivo.

Enquanto isso o Ministério Público de São Paulo pediu para não se vender mais ingressos nas sedes das torcidas - prática corriqueira entre as facções - envolvidas na batalha de domingo.

Quase um mês antes da guerra na avenida Inajar de Souza, um torcedor do Guarani foi morto em um confronto entre torcidas organizadas em Campinas.

A pedido do Ministério Público, a Federação Paulista decidiu proibir a entrada de integrantes das torcidas organizadas Torcida Jovem Amor Maior e Serponte, da Ponte Preta, e Fúria Independente e Guerreiros da Tribo, do Guarani, nos estádios por tempo indeterminado, até o final das investigações sobre a morte do torcedor Anderson Ferreira. O caso não está encerrado.

Balanços não oficiais atestam que nos últimos 18 anos pelo menos 84 torcedores morreram vítimas da violência no futebol no País. Todas as tentativas de se coibir o vandalismo no âmbito do esporte no Brasil, por enquanto, não deram resultado.

Na Europa, matriz de graves conflitos entre torcedores e dos hooligans, houve um pacto em todas as instâncias dos governos e do comando do futebol para se acabar com a violência no final dos anos de 1980 e meados de 1990. Os resultados foram exemplares e ainda hoje servem como referência.