quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

APOLOGIA DA VIOLÊNCIA

É só dar uma analisada nos hinos e nas bandeiras das torcidas organizadas do clubes brasileiros para se dar conta de que a violência está sendo disseminada, sem que as autoridades tomem medidas enérgicas para coibir, banir e punir os responsáveis.

Acabou A Paz - Torcida Organizada Os Fanáticos

"Acabou a paz
Isso aqui vai virar o inferno
Seja no campo!!
No terminal!!
Fanáticos vai descer o pau!!!!"

http://letras.mus.br/torcida-organizada-os-fanaticos/286088/



O Seu Terror - Torcida Independente

Não dá pra esconder
Que eu persigo só você gambá
Não dá, não dá não dá não dá

Não dá pra esconder
Que eu persigo só você gambá
Não dá, não dá não dá não dá

Só sei
Que os porco estremesse
A jovem desaparece
Inconscientemente a gente espanca
As mãozinhas já não se balançam
Os bambus não existem mais
Força
Só sei que a independente é ruim de mais

Eô eô
Sou da independente,
O seu terror

http://letras.mus.br/torcida-independente/507981/


Seu Pior Pesadelo - GRCES Torcida Jovem do Santos FC


Vem que o Bonde da TEJOTA,
é guerreiro.
Seu Terror, Seu Pior Pesadelo.
Representa Bate em Qualquer Um.
Somos a Nº1... Vai, Vai, Vai...

http://letras.mus.br/torcida-independente/507981/













OPERAÇÃO PARA PRENDER TORCEDORES ENVOLVIDOS NA PANCADARIA NA ARENA JOINVILLE

ZERO HORA ONLINE 19/12/2013 | 10h41

A NOTÍCIA

Polícia faz operação para prender torcedores envolvidos na pancadaria na Arena Joinville. 28 mandados de prisão começaram a ser cumpridos nesta qunta-feira



Foto: GERALDO BUBNIAK / FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO


As Polícias Civis de Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro iniciaram às 5 horas desta quinta-feira a operação Cartão Vermelho para a prisão de torcedores do Atlético-PR e Vasco envolvidos na pancadaria na Arena Joinville. Até às 10h, 12 pessoas já tinham sido presas nos três estados. Todos responderão por associação ao crime, incitação de violência em evento esportivo e dano ao patrimônio público. Dependendo do caso, também responderão por furto e tentativa de homicídio.

Devem ser cumpridos 28 mandados de prisão e um de busca e apreensão na região metropolitana de Curitiba, Joinville e Blumenau e no Rio de Janeiro. O delegado responsável pelo caso em Santa Catarina, Dirceu Silveira, não quis revelar quantos já foram presos em cada um dos estados.

Em Joinville, um homem de 40 anos que estava na torcida do Atlético Paranaense foi preso. O ex-vereador de Curitiba, Juliano Borghetti, flagrado no meio da confusão, não foi encontrado em caso pela polícia e está foragido. Em Blumenau, um vascaíno de 22 anos também foi detido.

A briga aconteceu no dia 8 de dezembro, no jogo entre Atlético-PR e Vasco, por volta dos 15 minutos do primeiro tempo, quando o time paranaense já vencia por 1 a 0. A partida foi paralisada. Na confusão, quatro torcedores ficaram feridos. Um deles sofreu traumatismo craniano e só teve alta no dia 13.

No julgamento do STJD, o Atlético-PR, responsável pela segurança no local no dia da partida, foi o maior punido com perda de mando de 12 partidas, metade delas com portões fechados. O clube do Paraná ainda foi multado em R$ 120 mil. O Vasco da Gama foi penalizado com oito partidas de mando de campo e R$ 80 mil reais em multa.

Diário Catarinense — Quais são as provas contra os presos?
Dirceu Silveira — Coletamos os materiais usados no dia da confusão, vestuários e as informações deles coletadas no dia do jogo. As fotos tiradas durante a partida também serão usadas como provas.

DC — Os presos em outros estados serão traduzidos para Santa Catarina?
Silveira — Sim, todo o inquérito será encaminhado pela polícia civil de Santa Catarina e eles serão trazidos o mais breve possível a Joinville para a coleta de depoimentos e andamento normal dos casos.

DC — Além desses 12, quantos envolvidos foram presos no dia do jogo?
Silveira — Três pessoas foram presas no dia da partid

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

REPARAR OS DANOS PROVOCADOS PELAS TORCIDAS


JORNAL DO COMÉRCIO 18/12/2013


Daniel Ustárroz



Na V Jornada de Direito Civil, em 2011, o professor Adalberto Pasqualoto apresentou uma ideia inovadora e interessante: responsabilizar os clubes pela reparação dos danos gerados por suas torcidas. O argumento central é o seguinte: quando um clube financia, de qualquer modo, a torcida organizada, ele deve responder pelos danos que ela provoca. O tema não poderia ser mais atual, infelizmente. A violência dos grupos que se reúnem a pretexto de apoiar uma equipe está na ordem do dia. E o saldo, lamentavelmente, não é dos melhores. Danos à integridade física e à saúde das pessoas, prejuízos imensos ao comércio, sensação de impotência do cidadão comum.

Nesse sentido, é interessante a informação vinda da imprensa, dando conta que o Grêmio repassou R$ 310 mil e R$ 787 mil, nos anos de 2011 e 2012, para as torcidas organizadas. Certamente, a realidade não é distinta de outros clubes. Uma parte dessa “receita”, naturalmente, custeou a locação de ônibus para o deslocamento dos torcedores a outros estados. Poderia ilustrar o artigo com um exemplo trágico, mas utilizo algo mais “leve”. Imaginemos uma situação corriqueira nas estradas brasileiras. Por cansaço ou qualquer outra razão, um desses ônibus resolve estacionar em um bar ou em um posto de gasolina na beira da estrada. E, durante alguns minutos, alguns dos viajantes “por amor ao clube” acabam depredando o estabelecimento, ao passo que outros efetuam saques. Quem vai suportar esse prejuízo? Hoje, a resposta dada pelo direito civil a este tipo de situação se mostra manifestamente insatisfatória. Competiria ao proprietário ou aos lesados pela ação dos vândalos, primeiro, identificá-los, para, ato contínuo, demandar deles a reparação. Na teoria, tudo perfeito.

Na prática, sabemos que esse modelo não repara dano algum, e o prejudicado fica a lamentar a sua sorte. Neste contexto, a medida sugerida pela comunidade acadêmica, de responsabilizar civilmente as agremiações esportivas pelos danos ocasionados pelos membros das torcidas organizadas parece acertada para resolver ao menos um dos problemas gerados por esta questão social: a reparação das vítimas. Talvez essa nova postura se mostre saudável, desde que acompanhadas de outras tantas, como a imprensa há tanto tempo destaca.

Professor de Direito Civil da Pucrs

VALORES FERIDOS




ZERO HORA 18 de dezembro de 2013 | N° 17648


EDITORIAIS


Merece atenção a decisão da montadora Nissan de interromper o contrato de patrocínio que tinha com o clube Vasco da Gama devido aos atos de violência praticados por sua torcida, recentemente, em Joinville. A fábrica japonesa declarou em nota que considera o comportamento daquele grupo de torcedores incompatível com os valores e princípios sustentados e defendidos pela empresa em todo o mundo. Por isso, optou por rescindir o contrato de publicidade que assegurava ao clube carioca o equivalente a R$ 7 milhões por ano. O patrocínio fora assinado em julho último e deveria durar quatro anos.

Patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio, a Nissan reafirma seu compromisso com o esporte, mas não quer ver sua marca associada à má imagem deixada pelos integrantes da torcida organizada que participaram do confronto contra torcedores do Atlético Paranaense.

O assunto é controverso, pois os clubes de futebol não aceitam ser responsabilizados pela má conduta de alguns torcedores. Mas o Estatuto do Torcedor determina claramente que as entidades esportivas estabeleçam uma relação de absoluta transparência com as torcidas organizadas, inclusive cadastrando torcedores para manter o controle sobre o seu comportamento. Além disso, como os clubes costumam doar ingressos, transporte e até dinheiro para as organizadas, não há como fugir da corresponsabilidade.

A decisão da montadora até pode ser questionada judicialmente, de acordo com os termos do contrato, mas tem sentido como medida de combate à violência nos estádios. Se fabricantes de material esportivo e outras empresas que investem no futebol impusessem cláusulas rescisórias em caso de prejuízo de imagem, certamente os clubes passariam a dispensar mais rigor e mais profissionalismo aos seus torcedores. A parte saudável da torcida também aprovaria.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA


OS NOSSOS VALORES

Responsabilidade e ousadia.
Duas características inseparáveis.

Na Nissan, os nossos valores dizem respeito às pessoas e a uma maneira inovadora de agir. Levam-nos a assumir a responsabilidade pelas nossas tarefas, a resolver antecipadamente os problemas, a  prever o futuro e a permitir que tomemos as decisões que nos parecem mais adequadas.
Além do mais, impelem-nos a inovar para continuar a surpreendê-lo. E a correr riscos, quando sabemos que vale a pena.

domingo, 15 de dezembro de 2013

PÃO, CIRCO E VIOLÊNCIA


15 de dezembro de 2013 | 2h 08


GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo



Vespasiano, o imperador, em 22 de junho de 79 d.C., pouco antes de morrer, em carta ao filho Tito aconselhava-o a concluir a construção do Colosseum (Coliseu), que lhe daria "muitas alegrias e infinita memória". Pois, entre um banheiro, um banco de escola ou um estádio, o povo preferia sentar-se nas arquibancadas deste. O conselho fundamentava-se na ideia de que seduzir a plebe com pão e circo era a melhor receita para diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Tito acabou inaugurando o famoso anfiteatro, no centro de Roma, com cem dias de festa. Descortinava-se ali a era do panis et circensis, que consistia em proporcionar, naquela arena, espetáculos sangrentos entre gladiadores e distribuição gratuita de pão. Implicava alto custo para os cofres do Império, com elevação de impostos e economia destroçada, mas a prática populista emprestava enorme prestígio aos imperadores romanos.

É sabido que os jogos, ao longo da História, funcionaram como verniz para lustrar a imagem de governantes. Hoje a estratégia para cooptar a simpatia das populações por meio das artes/artimanhas e do entretenimento continua a receber atenção de administradores públicos de todos os quadrantes. Não por acaso, nossas arenas esportivas, que se preparam para abrigar os jogos da Copa de 2014, deverão colorir o portfólio de feitos do governo.

O que tem mudado na paisagem dos espaços lúdicos não é a ambição dos condutores dos Estados de se alçarem aos píncaros da fama, mas o comportamento das plateias. Espectadores que outrora fruíam a catarse dos embates esportivos, exaltando ou deplorando o desempenho de contendores, tornam-se eles próprios competidores, lutadores, gladiadores, disparando uns contra outros não só a arma das imprecações, mas armas de fogo, e partindo para a violência física. A alteração comportamental de quem vai aos estádios é preocupante, principalmente em nosso território, que elege o futebol como esporte nacional e se depara, a cada campeonato, com os novos sujeitos, as chamadas torcidas organizadas. O fenômeno toma vulto ante o risco de o Brasil vir a ser, por excelência, o palco da violência futebolística, pela constatação de que o aparato da segurança pública tem sido ineficaz para debelar a desordem e a pancadaria nas arquibancadas, a par de medidas paliativas, como cerceamento do acesso de torcedores a estádios, majoração do preço de ingressos, jogos com portões fechados, perda de mando de campo e multas aos clubes.

De pouco adiantará administrar tensões e conflitos sob o escudo policial-repressivo. Como se diz no vulgo, o buraco é mais profundo e está embaixo. A mobilização de pessoas para a formação de grupos e a organização de torcidas obedecem a nova ordem que impregna a dinâmica social no mundo contemporâneo. A competição assume posição singular em todos os setores, espaços, categorias profissionais e classes sociais. As massas fragmentam-se em núcleos, cada qual com seus discursos, bandeiras, uniformes, armas e instrumentos. Os avanços civilizatórios nos campos da macroeconomia, da política e da cultura abrem comportamentos diferentes, multiplicando as pequenas organizações sociais e gerando novos polos de poder.

Os espaços urbanos ganham novos contornos, a esfera do trabalho traz novos desafios e a busca de uma identidade passa a ser central para os indivíduos, principalmente os jovens, motivados a expressar valores como masculinidade, coragem, companheirismo, coesão, solidariedade, sentimento de pertencer a um grupo. Fazer parte de torcidas como Mancha Verde, Gaviões da Fiel, Independente passou a ser referência para habitantes de cidades congestionadas, carentes de serviços e lazer.

Ao escopo semântico - em que se agrupam as agruras sociais - adiciona-se uma estética de diferenciação, caracterizada pelas cores (verde, vermelho e preto, preto e branco, azul, amarelo canarinho), pelos símbolos (gavião, porco, urubu, galo, raposa, coelho, timbu, baleia, leão), pela vestimenta com os dizeres da moda, pelo estilo de andar, de pensar, de perambular em bandos. E fechando o circuito, a espetacularização midiática, por meio da qual os torcedores poderão ver nas telas da TV seus gestos, feições alegres ou crispadas de ódio e ouvir gritos de guerra.

Condenar as turbas com designativos de vândalos, bandidos, selvagens, adensar forças policiais em estádios, continuar a usar meios tradicionais, como punição a clubes, não conseguirão eliminar a violência das torcidas organizadas. Mais cedo ou mais tarde, os atos voltarão. O disciplinamento e a ordem hão de levar em conta a elevação de padrões comportamentais, ancorada no esforço de educação (reeducação) de torcedores fanáticos. Não se trata de promover meras ações de marketing cultural - eventos festivos e associativos para alinhamento dos torcedores ao espírito do clube -, mas um amplo programa com o objetivo de compor um ideário voltado para engrandecer o espírito da democracia, com respeito aos princípios da ordem e da disciplina, que não devem ser incompatíveis com o entusiasmo das torcidas.

É evidente que ante a moldura de extrema competitividade e crescente agressividade entre grupamentos sociais um esforço nessa direção não será tarefa fácil. O que aqui se propõe é uma ação cívica dos clubes de futebol na tentativa de ajudar o Estado brasileiro a melhorar a argamassa do edifício da cidadania. É inimaginável que torcidas se vejam como inimigas tomadas de ódio e virulência; e que o "sarro" tirado por um bandeirinha na direção de um grupo nas arquibancadas, o apito errado de um juiz, um ato menos educado de um policial ou um xingamento de torcedor sejam motivo para pancadaria.

Nem Vespasiano nem Tito imaginariam que, um dia, o dístico panis et circensis seria acrescido de violentia. Fosse assim, o velho Coliseu não estaria em pé.


JORNALISTA, PROFESSOR, TITULAR DA USP, É CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO TWITTER: @GAUDTORQUATO

OS ASSASSINOS DO FUTEBOL


ZERO HORA 15 de dezembro de 2013 | N° 17645


EDITORIAL INTERATIVO


Eles não são torcedores, são arruaceiros. Infiltram-se nas torcidas organizadas, extorquem os dirigentes de clubes, provocam-se pelas redes sociais, bebem e brigam dentro e fora dos estádios. Não vão a campo para ver o jogo, para aplaudir e vaiar os jogadores. Vão para exibir seus músculos, sua agressividade e sua imaturidade. Protegem-se na multidão, atacam em bandos e agem com ferocidade e covardia, como se viu no último domingo na lamentável batalha campal entre as organizadas do Atlético Paranaense e do Vasco, na Arena Joinville. Por causa deles, muitos cidadãos preferem ficar em casa e acompanhar o esporte pela televisão. Na antevéspera da Copa do Mundo, o Brasil está diante de um desafio: como conter esses assassinos do futebol?

Punir os clubes tem sido uma das medidas mais frequentes, mas com resultados insuficientes. Basta lembrar que o jogo da briga do último domingo já foi realizado em Santa Catarina porque o Atlético-PR estava punido por tumulto causado por sua torcida no clássico contra o Coritiba, realizado em outubro. E o Vasco também já havia perdido mandos de campo no Brasileirão devido ao confronto de seus torcedores com os do Corinthians, em Brasília, em agosto. Portanto, não se tratou de um caso isolado. Os enfrentamentos são frequentes e envolvem os principais clubes do país. Evidentemente, essas associações, especialmente aquelas que financiam marginais travestidos de torcedores, merecem ser responsabilizadas, mas é preciso fazer mais.

Colocar polícia dentro do estádio também é medida controversa. As forças de segurança alegam que não é de sua atribuição policiar espetáculos privados e dizem que o deslocamento de tropas para o futebol deixa a população menos protegida. Querem, no mínimo, receber uma compensação financeira dos clubes, para pagar hora extra aos soldados ou financiar equipamentos. Enquanto dirigentes e autoridades não chegam a um acordo, porém, está cada vez mais evidente que as Polícias Militares precisam estar prontas para intervir nos tumultos, pois as pessoas que vão a estádios de futebol também são parte da população e merecem ser protegidas.

Criar leis mais rigorosas soa apenas como cortina de fumaça. Já temos leis suficientes, o próprio Código Penal, o Estatuto do Torcedor, normas preventivas e punitivas que raramente são cumpridas. O que nos falta é ação e organização. Ação por parte dos organismos policiais e judiciais para que os protagonistas da selvageria sejam identificados, investigados e retirados de circulação. Cadeia é o mínimo que merecem marginais que atentam contra a vida de seus semelhantes. E organização para, como fizeram os ingleses com os hooligans depois de episódios fatais, oferecer condições de conforto e segurança aos torcedores, de modo a inibir tumultos. Nos estádios britânicos, ninguém pode assistir ao jogo em pé, as cadeiras são todas numeradas, há câmeras de vigilância em todos os setores e qualquer anormalidade é imediatamente controlada, com a retirada dos brigões e sua exclusão dos próximos jogos, mediante apresentação obrigatória em delegacias nos dias e horários das partidas.

Para enfrentar os assassinos do futebol, o país precisa de dirigentes de clubes mais corajosos e responsáveis, e de governantes e autoridades com competência para punir, planejar, organizar e criar uma infraestrutura de civilidade. A partir dessas premissas, a conscientização dos torcedores tende a vir ao natural.

O editorial ao lado foi publicado antecipadamente no site de Zero Hora, na quinta-feira. Os comentários para a edição impressa foram selecionados entre as manifestações recebidas até as 18h de sexta-feira. A questão proposta: Editorial diz que prevenção é a melhor arma contra a violência das torcidas de futebol. Você concorda?


O leitor concorda


Concordo. O maior incentivo à violência é a impunidade. Tanto dentro quanto fora dos estádios, os criminosos voltam a agir rapidamente. Realmente não é necessário criar leis, basta aplicá-las. Também acho justa uma ajuda financeira dos clubes às forças de segurança, afinal sabemos que os grandes nomes do futebol movimentam muito dinheiro. Ao invés de repassarem recursos a torcidas organizadas, que repassem a quem vai zelar pela ordem nos estádios.

Fernanda Freddo, Caxias do Sul (RS)

A prevenção é o melhor remédio para qualquer situação. No entanto, devem ser avaliadas as atitudes tomadas em outros países, a exemplo da Inglaterra. As grandes catástrofes deveriam servir de exemplo para todos.

Roberto Mastrangelo Coelho, Porto Alegre (RS)

Não é o primeiro comentário analisando o perfil das torcidas organizadas. Todas pecam por terem infiltrações (violentas). A maioria (deles) não tem emprego, vive à custa dos clubes. Quando os clubes todos pararem de financiar as torcidas, então, acreditem, teremos torcedores natos, pacatos e apreciadores do futebol. Depende só dos dirigentes. Se querem que o estádio dê condições ou não. No Paraná, faz muito tempo que a polícia só cobre eventos cobrando taxas pelo serviço, seja do tipo que for, inclusive exposições e feiras.

Rubens C. Calliari, Pato Branco (PR)


O leitor discorda


Discordo, porque essa “prevenção” não será definitiva. É certo que haverá uma maquiagem em relação à Copa do Mundo. Vão punir os arruaceiros temporariamente, proibi-los de frequentar eventos e, enfim, vão até pôr o Exército nas ruas para auxiliar na segurança. Aí, depois que passar, voltará tudo de novo ao “normal”. Já sabemos como funciona. É triste.

Gilmar Moreira da Silva, Canoas (RS)

Não concordo. As ideias apresentadas parecem bem-intencionadas, porém são utópicas em um país cujas leis, em quase sua totalidade, são apenas alcovas para malfeitos e locupletações. Ou se acaba de vez com essa balbúrdia banindo permanentemente as torcidas organizadas dos estádios, ou daqui a 20 anos estaremos discutindo soluções paliativas para o mesmo problema.

Márcio de Carvalho Damin Porto Alegre (RS)

Em termos. Prevenir supõe que a violência exista, latente. Ideal é educar. 

@alyhell


sábado, 14 de dezembro de 2013

O BRASIL É A INGLATERRA NA CONTRAMÃO

REVISTA VEJA
Coluna do Augusto Nunes - 14/12/2013 às 12:25 \

O Brasil é a Inglaterra na contramão: removeu os alambrados antes de enfrentar a selvageria das torcidas organizadas


Em 1985, a federação de futebol do Reino Unido decidiu que chegara a hora de livrar os estádios dos hooligans, os mais selvagens torcedores do mundo. Por decisão da entidade, os times ingleses foram proibidos de participar de torneios internacionais até 1990. Um a um, comandantes, oficiais graduados e soldados rasos classificados pelo grau de beligerância foram identificados, julgados e banidos das arquibancadas. Muitos acabaram na cadeia. A guerra demorou cinco anos. Só depois de consumado o triunfo dos defensores da lei e da civilização os dirigentes removeram os alambrados dos estádios britânicos.

Afrontado pelo atrevimento de delinquentes fanáticos disfarçados de torcedores, que sobrevivem graças à conivência criminosa dos cartolas, o Brasil se transformou numa Inglaterra na contramão. Não existe sequer um esboço de plano para a erradicação da praga em permanente expansão. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, recitam promessas que não serão cumpridas. Os cartolas seguem financiando os comparsas uniformizados. Mas as arenas construídas ou reformadas para a Copa de 2014 não têm alambrados.

“O Brasil está muito feliz em receber todos nessa Copa, porque somos um povo alegre e acolhedor”, disse Dilma Rousseff durante o sorteio das chaves da Copa. O palavrório foi desmoralizado pelas cenas apavorantes registradas durante o jogo entre o Vasco e o Atlético em Joinville. O que aparece no vídeo e nas fotos é uma amostra do horror que logo fará parte da rotina do futebol brasileiro.
ATLÉTICO PR E VASCO
(Foto: Joka Madruga/Futura Press)
Briga entre torcidas na partida entre Atlético-PR e Vasco
(Foto: Geraldo Bubniak /Fotoarena/Folhapress)
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(Foto: Carlos Moraes/Agencia O Dia/Reuters)
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(Foto: Carlos Moraes/Agencia O Dia/Reuters)
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O lutador de jiu-jitsu identificado como Naíba (de bermuda azul e camiseta) troca socos com um torcedor (Foto: Joka Madruga/Futura Press)
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Na pancadaria com torcedores do Corinthians, em 11 de agosto, os vascaínos Jonathan Fernandes e Philipe Sampaio (em destaque): os dois também foram filmados brigando em Joinville (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
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Philipe Sampaio na briga com torcedores do Atlético-PR, em Joinville (Foto: Reprodução)
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Jonathan Fernandes, de camisa branca, pisa em um torcedor do Atlético-PR; à esquerda, o homem identificado como Pierre, líder da torcida Ira Jovem (Foto: Reprodução)
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Leone Mendes da Silva, conhecido como Curirim, mora na Baixada Fluminense e está preso em Joinville (Foto: Giuliano Gomes/Folhapress)
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Torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense brigam durante o jogo em Joinville, Santa Catarina. No destaque, Marcelo Souza – (Foto: Heuler Andrey/AFP)
vereador
O ex-vereador de Curitiba Juliano Borghetti foi flagrado durante o show de selvageria em Joinville (Foto: Geraldo Bubniak/FotoArena)