segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ESTUPIDEZ ORGANIZADA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2258 25.Fev.13 - 15:29


Morte de adolescente por sinalizador disparado por torcedores na Bolívia é a prova de que não basta haver regras no futebol, é preciso cumpri-las e punir quem desobedece a elas

Rodrigo Cardoso




No meio da massa que dá o tom de espetáculo aos estádios de futebol existe um bando de pessoas – talvez vestindo as mesmas cores que você – armado. O artefato da moda, usado por esses grupos para manifestar a paixão pelo time, são os sinalizadores. O problema é que eles matam. Foi uma arma desse calibre, um cilindro plástico de 20 centímetros de comprimento por 2,5 centímetros de diâmetro utilizado geralmente pelas Forças Armadas, que matou o adolescente boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, na quarta-feira 20. Aos 14 anos, ele assistia ao jogo válido pela Copa Libertadores da América no estádio Jesús Bermúdez, em Oruro, entre o San José e o Corinthians, atual campeão do torneio, quando foi alvejado no olho direito por um projétil, que penetrou em seu crânio, provocou perda de massa encefálica e o matou na hora.



O disparo partiu de integrantes da torcida do time brasileiro, de acordo com as autoridades locais. O Corinthians já foi punido. O Tribunal de Disciplina da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) definiu que o time jogará toda a edição 2013 da Libertadores com os portões fechados e não poderá contar com seus torcedores nem nas partidas em que atuará como visitante. Doze corintianos estão detidos na Bolívia. Com eles, foram recolhidos nove objetos semelhantes ao que matou o adolescente. Pior: o modelo dos sinalizadores apreendidos, segundo os policiais bolivianos, não é vendido naquele país, o que leva a crer que os “torcedores” atravessaram a fronteira com a arma escondida. Mas o que leva alguém a ir para um estádio armado com um sinalizador naval? E o que fazem as autoridades responsáveis que, descumprindo as regras do futebol, permitem a entrada de fogos de artifício e sinalizadores nos palcos dos jogos? “Eles chegam em grupos simulando ambiente de festa, pulando, gritando, para ultrapassar barreiras da polícia”, diz o sociólogo Maurício Murad, do mestrado da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), um estudioso do comportamento de torcidas organizadas.


A VÍTIMA E OS ALGOZES
Doze corintianos estão presos na Bolívia e com eles foram recolhidos nove sinalizadores.
Acima, Kevin Douglas Beltrán Espada, 14 anos, morto enquanto assistia ao jogo do seu time

Regras existem. O código de disciplina da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), entidade organizadora do torneio, prevê punição, em seu artigo 11, para clubes cujos torcedores manifestem comportamentos inadequados, como invasão de campo, objetos atirados no gramado, uso de sinalizadores, fogos de artifício ou qualquer outro objeto pirotécnico. Tanto que o Corinthians já foi punido. Como, então, a revista feita pelos policiais na porta do campo não recolheu o objeto? O trabalho policial, seja no Brasil, seja em qualquer outro país, tem de ser sério para banir essas armas com potencial letal. O sinalizador é um artefato cujo projétil atinge longas distâncias. Dentro de um estádio de futebol, em meio a uma multidão, se torna ainda mais perigoso. Mesmo que o torcedor brasileiro não tivesse a intenção de atingir o boliviano, não se pode dar margem para que esse tipo de objeto seja manipulado por torcidas organizadas, que, muitas vezes, enxergam o adversário como inimigo mortal.


Fonte: Maurício Murad, sociólogo do mestrado da Universidade
Salgado de Oliveira (Universo), pesquisador de torcidas organizadas

No Brasil, onde os objetos pirotécnicos passaram a ocupar as arquibancadas em meados dos anos 1990, o Estatuto do Torcedor proíbe o porte ou a utilização de fogos de artifício ou quaisquer outros engenhos pirotécnicos. Mesmo assim, é comum assistir ao “espetáculo” de luzes produzido por esses objetos nos jogos. Deve-se considerar uma particularidade desses infratores travestidos de torcedores de futebol: eles se valem do fato de estarem na multidão para delinquir e agem na invisibilidade da massa. Só que, com as dezenas de câmeras que captam as imagens dentro de um campo de futebol, é possível identificar e punir quem burla a norma. “Aqui não se faz isso. E deveria ser feito”, afirma o procurador de Justiça Fernando Capez, hoje deputado estadual paulista, que combateu a violência das torcidas organizadas.


NO MEIO DA MASSA
A torcida em ação, na quarta-feira 20. No detalhe,
o momento em que o artefato foi disparado

No ano passado, na Argentina, onde também são proibidos sinalizadores, rojões e fogos nos estádios, três corintianos ludibriaram a segurança e entraram no estádio La Bombonera, na primeira partida da final da Libertadores entre Corinthians e Boca Juniors, com 50 pacotes de artefatos. Durante o jogo, porém, as câmeras captaram a luz suspeita e torcedores foram identificados pelos policiais. Encaminhados para a delegacia, eles se comprometeram a doar fraldas a um hospital e foram proibidos de frequentar partida de futebol em território argentino durante um ano. Por aqui, as autoridades têm insistido para que as organizadas denunciem o integrante que cometa algum ato de vandalismo, sob o risco de a torcida toda ser responsabilizada. Essa estratégia deu resultado no confronto entre Santos e São Paulo, no começo deste mês, quando um rojão foi lançado de um dos ônibus de torcedores do time da Baixada Santista e estourou ao lado de um dos policiais que faziam a escolta do veículo. De imediato, o ônibus foi parado para que, naquele momento, o autor se apresentasse. Do contrário a torcida inteira seria levada para a delegacia e correria o risco de sofrer uma eventual suspensão. É preciso tolerância zero com as torcidas organizadas nos estádios para que o futebol volte a ser um evento de diversão e não uma ameaça aos espectadores.



Fotos: EFE/STRINGER; Juan Karita/ AP Photo



ESTUPIDEZ FATAL

ZERO HORA, 21/02/2013

EDITORIAL

Os danos causados pelo uso irresponsável de fogos de artifício não podem ser considerados fatalidade, mas sim a consequência de uma estupidez. Da mesma forma, não é inteligente nem aceitável a omissão das autoridades na vigilância e no controle de instrumentos que podem provocar mortes e tragédias, como ocorreu na última quarta-feira no episódio que vitimou um torcedor boliviano e como já havia ocorrido no terrível incêndio da boate de Santa Maria.

Quando alguém aciona um sinalizador pirotécnico num ambiente fechado ou em meio a uma multidão, está assumindo o óbvio risco de causar danos. Não existe outra possibilidade, pois esses artefatos têm potencial para queimar, ferir e até mesmo para matar, como se constatou tristemente na cidade de Oruro, onde torcedores brasileiros provocaram a morte de um jovem boliviano de 14 anos. No Brasil, o uso de fogos de artifício é proibido em estádios de futebol, mas todas as torcidas levam para as arquibancadas os chamados sinalizadores pirotécnicos, criados para emitir luz ou fumaça colorida com o propósito original de facilitar a localização de pessoas em situação de isolamento.

São igualmente perigosos, pois na maioria das vezes possuem material inflamável e explosivo. Portá-los ou acioná-los no meio de uma multidão são atos absolutamente irresponsáveis, que merecem repreensão e punição.

Mesmo em celebrações tradicionais, como as festas de fim de ano, o uso de fogos de artifício tem que ser rigorosamente controlado. Existe legislação específica para isso _ o que não existe é fiscalização suficiente nem uma cultura de segurança por parte da população, que deveria denunciar abusos e riscos, até mesmo para sua própria proteção. Na realidade, porém, há pessoas que usam até mesmo armas de fogo para fazer barulho e chamar a atenção em momentos de celebração coletiva.

A única explicação para este comportamento deletério está na frase célebre do cientista Albert Einstein: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta". Somos falíveis, cometemos erros, muitas vezes calculamos mal os movimentos de nossas vidas. Mas nada justifica a exposição gratuita e irracional a situações capazes de provocar tragédias e causar danos irreparáveis a terceiros.

Para isso, para prevenir que indivíduos com comportamentos desviantes causem prejuízos à sociedade, existem as leis e as autoridades. A responsabilização posterior se impõe, até como forma de atenuar o sofrimento dos familiares e amigos das vítimas da insensatez. Mas o importante é prevenir, é evitar que fatos deploráveis se repitam _ e não há outro caminho senão o da fiscalização implacável e proibição de uso de equipamentos potencialmente causadores de danos.

Fogos de artifício, bombas, foguetes, sinalizadores explosivos não combinam com o futebol, nem com qualquer espetáculo que reúna grande público. Se a estupidez humana é infinita, como alertou o cientista, que pelo menos se tente torná-la menos letal.

PUNIÇÃO PEDAGÓGICA

ZERO HORA 23 de fevereiro de 20130



Ao afastar a torcida do Corinthians dos jogos da Libertadores, a Confederação Sul-Americana de Futebol pune o clube e diz aos torcedores que eles não podem mais ser coniventes com quem vai ao estádio para brigar, para depredar ou para agredir adversários.

É fácil identificar uma injustiça, difícil é fazer justiça. O episódio da morte do jovem boliviano atingido por um sinalizador pirotécnico supostamente lançado por torcedores do Corinthians enquadra-se perfeitamente no axioma proposto na abertura deste comentário. Pode haver algo mais injusto do que um adolescente ir ao estádio de futebol torcer para seu time e sair de lá morto, alvejado no olho por um artefato de guerra? Como explicar uma barbárie dessas para a família da vítima, para os amigos e até mesmo para quem só acompanha o caso pelo noticiário? Dizer que é uma fatalidade chega a ser ofensivo, pois não caiu um meteorito sobre o estádio. Se não é fatalidade, é crime. E, se é crime, alguém deve ser responsabilizado.

E aí entra uma das questões mais complexas e polêmicas das sociedades civilizadas: como identificar, julgar e punir quem efetivamente merece a punição, especialmente em ambientes de altíssima voltagem emocional como no caso referido. Se o futebol já acirra a rivalidade na simples disputa esportiva, um incidente trágico como esse, envolvendo torcedores de países diferentes, tende a gerar um contencioso diplomático. Tanto que, tão logo constataram a gravidade do fato, os torcedores bolivianos presentes ao estádio de Oruro passaram a hostilizar os jogadores do Corinthians e a chamar os brasileiros de assassinos.

No campo esportivo, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) agiu rápido, condenando administrativamente o time brasileiro a disputar o restante da Copa Libertadores sem a presença de sua torcida nos estádios. Terá que jogar com os portões fechados quando for mandante do jogo e não terá direito a ingressos quando for visitante. Ainda que o clube não aceite e prometa recorrer, é inquestionável que a medida tem um componente pedagógico, pois obriga os clubes de futebol a exercerem um controle maior sobre seus torcedores _ embora se saiba que o controle total é absolutamente impossível. E também impõe novas responsabilidades aos próprios torcedores, que não podem mais ser coniventes com quem vai ao estádio para brigar, para promover depredações ou para agredir adversários.

O mais justo, todos sabemos, seria a identificação do torcedor irresponsável que arremessou o artefato perigoso na direção da torcida adversária. Na impossibilidade de chegar a essa conclusão, a polícia boliviana prendeu 12 brasileiros suspeitos e os está indiciando por homicídio, dois deles como autores diretos do crime e os outros 10 por cumplicidade. Ainda que o autor do arremesso criminoso esteja nesse grupo, um simples raciocínio lógico indica que os outros 11 podem estar sendo de certa forma injustiçados. Espera-se que todos tenham o direito de se defender, para que a revolta e o natural desejo de vingança não prevaleçam sobre a verdade.

Mas a responsabilização compartilhada do clube e de sua torcida serve de exemplo para quem não entendeu ainda que o futebol deve ser um espetáculo de paz, diversão e competição saudável.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A Justiça da Bolívia dá uma lição à Justiça Brasileira. Por aqui, os hooligans cometem atos de vandalismo, agridem pessoas, ferem, desrespeitam decisões judiciais e esportivas, matam torcedores rivais e ficam impunes. Bem que a Justiça Brasileira seguisse o exemplo da Bolívia. A paz nos esportes agradeceria.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ARTIFÍCIO ATIRADO POR CORINTIANO MATA TORCEDOR BOLIVIANO DE 14 ANOS

ZERO HORA 21 de fevereiro de 2013 | N° 17350

LIBERTADORES. Boliviano morre em estreia corintiana

Torcedor do San Jose, de 14 anos, foi atingido por fogo de artifício. Brasileiros foram detidos e time pode ser suspenso



A campanha do Corinthians em busca do bicampeonato da Libertadores começou com um empate em 1 a 1 diante do San Jose-BOL, ontem, nos 3,7 mil metros de altitude do Estádio Jesús Bermúdez, em Oruro, no sul da Bolívia. Mas o fato mais importante da partida foi a morte de um torcedor da equipe boliviana.

Um adolescente de 14 anos, identificado como Kevin Beltrán, morreu depois de ser atingido por fogos de artifício, que podem ter partido da torcida corintiana. Oficiais da polícia de Oruro informaram que pelo menos nove brasileiros foram detidos. Durante o intervalo da partida, a polícia boliviana, em uma ação preventiva, retirou integrantes da comissão técnica, jogadores não relacionados para o jogo e membros da diretoria do Corinthians das tribunas. Eles foram conduzidos ao vestiário. O objetivo era evitar que fossem vítimas de uma reação dos torcedores rivais.

Fora do estádio, torcedores bolivianos chamavam os brasileiros de “assassinos”. A página de Beltrán no Facebook revelava um torcedor apaixonado por seu time.

Depois da partida, o técnico do Corinthians, Tite, trocou a entrevista coletiva por um pronunciamento e chorou ao comentar o episódio.

– Eu trocaria o meu título mundial pela vida do menino – afirmou o treinador.

Pelas novas regras da Conmebol, a entidade que comanda o futebol sul-americano e é responsável pela Libertadores, se for comprovada a participação de torcedores corintianos no episódio, a equipe pode, no limite, até ser eliminada do torneio continental.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O CRIME ENTROU EM CAMPO

O Estado de S.Paulo 12 de fevereiro de 2013 | 2h 07

OPINIÃO


Paixão popular no mundo inteiro, o futebol não é isento de denúncias de corrupção. Já na transição do amadorismo para o profissionalismo, ele é tema de extenso folclore contendo casos como o do dirigente de um clube que prometeu pagar ao goleiro do adversário certa quantia por gol tomado e, após o quinto, avisou-lhe que o trato não valia para os próximos. Tendo esse esporte se transformado num negócio muito próspero, a manipulação de resultados de partidas se tornou relativamente comum. E as quantias envolvidas, cada vez maiores. Ainda assim, os dados revelados no último escândalo divulgado impressionam: quase 700 jogos - 380 em 15 nações europeias e mais de 300 na América do Sul, América Central, África e Ásia, inclusive no Brasil, na Copa dos Campeões da Europa e nas eliminatórias para a Copa do Mundo - estão sob investigação do Serviço Europeu de Polícia (Europol).

Os policiais calculam que na Europa, onde se concentra a elite do futebol mundial, a máfia devassada pagou 2 bilhões (R$ 5,4 milhões) em propinas e recebeu 8 bilhões (R$ 35 bilhões) em prêmios de loteria e apostas feitas pela internet. "Nunca vimos uma rede tão grande de criminosos no futebol. Trata-se de uma operação sofisticada e uma evidência clara de como a corrupção invadiu o esporte", comentou o diretor do Europol, Rob Wainwright.

O esquema devassado baseia-se na compra de jogadores, árbitros e dirigentes para assegurar resultados de interesse de apostadores. Jogos de pouco destaque no noticiário esportivo estão sob suspeita. O trio que apitou um amistoso entre seleções sub-20 da Argentina e da Bolívia em 2010 deu à partida um acréscimo de 13 minutos sem razão aparente. E o juiz ainda marcou um pênalti inexistente para garantir a vitória dos argentinos. Pelo menos um jogo válido pela Copa dos Campeões na Inglaterra, dois das eliminatórias para a Copa da África e um na América Central estão sendo investigados. De acordo com os investigadores, além de obter lucros milionários, os bandidos também usam a fraude para lavar dinheiro ilícito obtido na venda de entorpecentes.

Esta é a principal diferença entre o escândalo denunciado esta semana pelo Europol e outros ocorridos em passado recente. Em 2006, a descoberta da manipulação de resultados no futebol italiano resultou no rebaixamento da tradicional Juventus de Turim para a segunda divisão do campeonato nacional. No ano passado, esquema similar foi denunciado no mesmo país, cuja seleção já conquistou quatro Copas do Mundo da Fifa.

No Brasil, também não é incomum o registro de casos escabrosos. Há 30 anos, quando a Loteria Esportiva era uma mania nacional quase igual à paixão pelo próprio futebol, a revista especializada em esportes Placar revelou que jogos que constavam das cartelas de aposta tinham resultados alterados à base do suborno de seus participantes. Em 2005, outra revista, a Veja, denunciou a chamada Máfia do Apito, sob o comando de Edilson Pereira de Carvalho, acusado de chefiar uma quadrilha de árbitros venais. Das investigações feitas após a reportagem resultou a anulação de 11 jogos do Campeonato Brasileiro.

Só que a corrupção não se limita ao que ocorre dentro das quatro linhas que delimitam o gramado. Também prospera nos escritórios de um negócio que movimenta fortunas em transferências e contratos de craques e treinadores. E em quantias vultosas investidas em publicidade na transmissão pela televisão de torneios acompanhados por bilhões de espectadores pelo mundo inteiro. Recentemente, Ricardo Teixeira foi apeado da presidência da CBF sob suspeita de enriquecimento ilícito. E a revista francesa France Football revelou que dirigentes da Fifa teriam recebido propina para escolher o Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022.

O combate a essa praga deve começar pela transparência na contabilidade de clubes, federações, confederações e da Fifa, entidades privadas em que dirigentes reinam por anos a fio, sem a obrigação de prestar contas de suas gestões.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

VÍDEO POLÊMICO INCITA A VIOLÊNCIA?


Botafogo explica vídeo polêmico

Gerente técnico diz que relação com o Fluminense é ótima - 'Em nenhum momento ideia foi passar violência'


TATIANA FURTADO
O GLOBO: 5/02/13 - 13h02


Sidnei Loureiro fala com a imprensa sobre o polêmico vídeo do Botafogo 
Cezar Loureiro / Agência O Globo


RIO - Após a divulgação do polêmico vídeo com bastidores do vestiárioapós o empate com o Fluminense pela Taça Guanabara, o gerente técnico do Botafogo, Sidnei Loureiro, disse nesta terça-feira que o clube entrou em contato com o Flu, deixando claro que não havia intenção em ofender o adversário.

- Já conversamos com o Fluminense para explicar os motivos da publicação do vídeo. Não foi uma retratação, e eles entenderam. Temos uma ótima relação.

UFC e outras coisas

Segundo Sidnei, o vídeo, parte um canal com conteúdo exclusivo para a torcida, foi feito para mostrar o outro lado do time.

- Os torcedores gostam disso. E em nenhum momento a ideia foi passar violência - disse o dirigente, acrescentando que o Botafogo teve a segunda menor média de faltas e foi o time que menos cartões amarelos recebeu durante o Campeonato Brasileiro.

O zagueiro Bolívar, que apareceu no vídeo falando que era preciso 'deixar cicatrizes nos caras', também falou sobre o assunto.

- Cada um tem uma maneira de motivar. Quando você entra no campo, o respeito é muito grande, porque tem colegas de profissão do outro lado.

- É uma coisa normal que acontece no nosso vestiário e na de outras equipes. Ninguém vai ali entrar para trocar socos. Para isso tem o UFC e outras coisas - disse o volante Marcelo Mattos.

Oswaldo diz a jogadores do Botafogo: 'Peita, mete a mão na cara!'

Clube divulga imagem de conversa dos vestiários após jogo com o Fluminense. Clássico terminou empatado em 1 a 1, no Engenhão


O GLOBO
Atualizado:4/02/13 - 19h03


RIO - Oito dias após o empate em 1 a 1 com o Fluminense, o clássico volta a agitar o Botafogo. Não dentro, mas fora de campo. Nesta segunda-feira, o clube divulgou em seu site oficial um vídeo de bastidores da partida com frases fortes ditas pelo técnico Oswaldo de Oliveira, do meia Seedorf e do zagueiro Bolívar, antes e depois da partida, válida pela Taça Guanabara.

No vídeo de oito minutos, editado pela equipe de comunicação do Botafogo e publicado na área chamada 'TV do Fogão', Osvaldo de Oliveira demonstra muita irritação com a atitude dos jogadores na partida disputada no domingo da semana passada, no Engenhão. Após o empate, o técnico fez um discurso inflamado e disse estar com "ira" do time adversário. O desabafo do treinador começou após uma avaliação do jogador Seedorf, que se envolveu em uma discussão com o volante Valencia, do Flumienense, ao fim do jogo. Para o jogador, o Botafogo respeitou demais o rival e e não partiu para a cima, mesmo tendo jogado melhor.

- Quando tem briga, vamos brigar com os caras, todo mundo junto. Não vamos aceitar, desde o começo, com tudo, é cartão aqui, cartão lá. Faz diferença no final. Valeu? - disse o meia.

No final da fala do ídolo holandês, o técnico diz que o time tem que ir "para dentro".

- É isso aí, Seedorf! Eu acho que nós temos é que comprar barulho mesmo, ir dentro dos putos, não tem que refrescar porra nenhuma, não. Vai, peita, mete a mão na cara, que nem eles estavam fazendo. Estou com ira desses putos! - encerra o Osvaldo.

O vídeo, que faz parte da série 'Conteúdo Único', mostra os bastidores das partidas contra o Fluminense, no Engenhão, e o Audax, em Moça Bonita. A gravação apresenta, tambem, um trecho em que Bolivar diz aos companheiros, antes do clássico, que o time tem que partir para cima e "deixar cicatrizes nesses caras".

Contratado este ano pelo Botafogo, Bolívar já se envolveu em um episódio polêmico quando atuava pelo Internacional. Em novembro de 2011, ele cometeu uma falta dura em Dodô, do Bahia, e embora não tenha sido expulso de campo, recebeu posteriormente uma punição dura do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD): quatro jogos de suspensão, e afastamento dos gramados pelo mesmo período de recuperação de Dodô. A sentença, no entanto, foi posteriormente abrandada para duas partidas e 15 dias de gancho.

No Fluminense, o meia Wagner evitou fazer criticar ao vídeo do Botafogo, lembrando a boa relação que tem com Oswaldo de Oliveira.

- Não vi o vídeo. Já trabalhei com Oswaldo no Cruzeiro, e ele é uma pessoa nota mil. Agora, futebol é jogo, acho que vale quase tudo para tentar tirar um jogador adversário do sério. Mas aqui no Fluminense somos tranquilos, só pensamos em jogar futebol, na bola, e não lembro de nada neste sentido durante o clássico.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PELO FIM DA AVALANCHE

ZERO HORA 01 de fevereiro de 2013 | N° 17330

 

EDITORIAIS

É oportuna a posição conjunta do Grêmio e da Arena Porto-Alegrense de interditar a área do novo estádio onde ocorreu um acidente com torcedores na última quarta-feira, durante a comemoração do gol contra a LDU. Esse é um primeiro e indispensável passo. O seguinte é promover as devidas modificações no setor, para que continue recebendo o torcedor de menor poder aquisitivo, porém sem possibilitar movimentações que impliquem riscos.

No espaço referido, os torcedores realizam a coreografia conhecida como avalanche, pela qual descem correndo os degraus da arquibancada e se comprimem contra a amurada de proteção. Como, durante o último jogo, o anteparo de grades colocado no local cedeu, vários torcedores caíram e pelo menos oito ficaram feridos. Tal ocorrência, no contexto de tragédia vivido pelo Estado desde o incêndio do último domingo em Santa Maria, provocou apreensão geral e imediata reação das autoridades, notadamente o Ministério Público e a Brigada Militar.

Ainda que exista inegável beleza plástica na movimentação, que se tornou uma marca registrada da torcida do Grêmio, não faz sentido colocar em perigo a integridade das pessoas para manter a celebração. Num espetáculo de futebol, quem pode se arriscar são os jogadores, que têm preparo físico e equipamento para a competição. Torcedor tem que torcer, de preferência em lugares confortáveis e seguros. Equivocou-se a direção do Grêmio quando aceitou a demanda de manter o espaço da avalanche no novo estádio. No Olímpico, a movimentação era facilitada pela amplitude e pelo posicionamento das arquibancadas. Na Arena, devido à verticalidade da construção, as condições são desfavoráveis para a correria escada abaixo.

É importante manter um espaço popular no estádio novo, mas já está mais do que comprovado que a avalanche tem que ser proibida. O torcedor é suficientemente criativo para inventar uma nova coreografia.